O erro tem vez!

Alguns relacionamentos nos machucam muito. Sofrer pela ausência, por uma traição, por um “fora” ou por qualquer outro motivo que venha de um relacionamento amoroso é, em princípio, muito doloroso. Há pessoas que lotam os consultórios em busca de conforto, de uma palavra amiga, de um sentido que, na maioria das vezes, está apenas nela mesma. Sim, somos nós quem damos sentido àquilo que vivemos. Somos nós que concedemos mais ou menos espaço para uma dor. Mas em algumas  situações, é inevitável que se caia em lágrimas e se julgue aquela experiência como o fim de tudo. Não é. Mesmo.

Há que se viver o luto pelas experiências que não deram certo. E também por aquelas às quais abdicamos – sofrer pelo que se escolhe e pelo que não se escolhe também. Uma dor não encarada de frente pode se transformar numa mágoa muito grande, uma coisa que vai te acompanhar para sempre e que não se resolveu, muitas vezes, pela sua não-abertura em colocar isso para fora. É preciso entrar em contato com o sofrimento, assim como com a alegria. Não podemos negar nossos momentos ruins, de down, de desânimo, de tristeza, de vontade de abandonar tudo. Mas é preciso trabalhar isso. Com os seus próprios recursos, orientado por um bom profissional, conversando a respeito ou simplesmente colocando o dedo na ferida. Nossas cicatrizes são marcas importantes e necessárias para o nosso crescimento.

Sofrer por um amor que não deu certo pode ser o início da abertura íntima para uma nova relação, mais madura e mais sofisticada. Com os erros temos que verdadeiramente aprender. E aprender, inclusive, que vamos errar muitas outras vezes mais. Como diria o poeta Paulo Leminski, não se deve cometer o mesmo erro duas vezes. Deve-se cometer três, quatro, cinco, até você aprender que o erro não tem vez. Se é sempre tempo de errar, é sempre tempo de amar.

Bom fim de semana a todos!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

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