Amores (im)possíveis

Olá a todos!

Este fim de semana assisti a um filme chamado “Amores Possíveis”, de Sandra Werneck, trama de 2001. No filme se passam algumas histórias de amor, de encontros e desencontros entre personagens interpretados por dois atores principais: Carolina Ferraz e Murilo Benício. Um casal imerso na rotina, com um marido que revê um amor de quinze anos atrás, um casal de homossexuais no qual um dos parceiros se vê assolado pela ex-mulher e seu filho pequeno e um solteirão sufocado por uma mãe superprotetora que busca a sua alma gêmea a todo custo. Lembrei dessas histórias.

Divulgação do filme "Amores Possíveis" (2001).
Divulgação do filme "Amores Possíveis" (2001).

Um ponto em comum é que sempre um dos membros do casal se vê em conflito e oscila por um amor, sempre do passado. A não-opção, aquilo que poteria ter sido e que não foi. Os relacionamentos atuais (instituídos) são marcados por uma certa estabilidade (em alguns casos, estagnação) – daí uma procura por algo diferente, algo recusado no passado (mas que já fora vivido no passado e que, por algum motivo, não deu certo!). Não se tratava de um amor platônico, mas sim de um amor conhecido e abandonado. A horta do vizinho, no caso do filme, nem sempre era a mais verde ou a mais saudável.

Relacionamentos são feitos por duas pessoas e quando não está bom para um, não deve estar bom para o outro também. Aí uma falha do filme: só se mostra um lado da moeda ou só se ouve um dos cônjuges na audiência que marca o fim da relação. O outro que também faz parte da gente tem uma voz e esta nos constitui. É preciso (antes ou durante o ato de nos ouvir) que saibamos dar voz a quem está consoco, partilhando, compondo uma história.

O amor possível nem sempre é aquele mais cômodo. O amor possível é aquele que escuta, aquele que se olha no espelho todo dia, aquele que dá beijinho de boa noite e que não vive das próprias vaidades. O amor impossível sempre dói mais, quase nunca dá certo e, por vezes, pode matar o amor possível, que ficou o tempo todo ali, nadando nas impossibilidades e mostrando a sua importância. O amor possível é aquele maduro, aquele que não necessariamente é estável (esta palavra é perigosa!), mas que, fazendo-se presente, pode mostrar que o amor impossível não vale a pena.

O amor impossível é medo de viver algo real, ele aparece quando a gente tem receio de se mostrar, de se abrir, de aprender com o outro. O possível é aquele que nos aceita, em que nos dá espaço e que, principalmente, mostra que liberdade para escolher é também uma característica de uma relação bem-sucedida.

Grande abraço a todos!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

2 comentários em “Amores (im)possíveis”

  1. O amor só é possível quando percebemos que é preciso nos amar também. Daí fica mais fácil entender o outro e se doar na medida certa.
    E exigir o que podemos dar.
    Se não está bem para um, para o outro não estará, como você disse tudo!
    Demoramos a por isso em prática, mas estamos no caminh.
    Adorei as dicas!

    1. Isso mesmo, Erica!
      Se a gente não se amar, não tem como amar o outro. Mas para quem tem dificuldades em se amar, amar o outro pode ser um início para amar a si mesmo. É um sentimento importante e que vai além daquilo que concebemos entre uma pessoas e outra em termos conjugais. Autoestima é fundamental para se estar com o outro, você tem razão.
      Grande beijo e obrigado pelo comentário!

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