Namoros longos, longos namoros…

Muitas pessoas acham que namoros muito longos são um problema. A minha resposta para isso é: nem sempre. Antes disso, é importante que o casal se pergunte por que namorar e qual a finalidade do namoro. Temos a tendência a achar o namoro um atestado de vivência pré-nupcial. Só pode se casar quem namorou e, de preferência, quem namorou bastante. Quando um casal que namora há apenas alguns meses decide se casar, a maioria das pessoas olham com estranhamento, como se precisassem ter um casamento anterior.

Eu particularmente acho que ter um relacionamento do tipo conjugal é um passo importante na vida de qualquer pessoa. Por ser um momento importante (e também de crise), deve-se ter em mente que as pessoas precisam desenvolver a intimidade, precisam se conhecer, sentir o terreno, entrar em contato. Ninguém conhece ninguém numa noite ou num mês, ainda que seja em tempo integral. Para conhecer alguém (minimamente) é preciso tempo, tempo para que você também se mostre e possa interagir com o outro.

75019616Mas a questão do namoro muito longo (me refiro àqueles de mais de dez anos, que duram muito mais que casamento na atualidade) pode ocultar não uma necessidade de conhecer melhor alguém ou experimentar uma relação antes do casamento. Pode ser uma fuga ou uma dificuldade de assumir um compromisso. E, como toda fuga, algumas desculpas podem ajudar: falta de dinheiro, falta de estabilidade no emprego, problemas familiares de causas variadas, falta de moradia, enfim. Não adianta casar sem as mínimas condições (sem emprego, sem renda, sem lugar para ficar ou outras tantas necessidades básicas – casamentos assim dão certo apenas na ficção ou quando a família de origem arma o circo todo do casamento), mas também não precisa ter as condições normais de temperatura e pressão para que isso aconteça. Se a relação já não existe mais (pode ter virado amizade – somente), se casar não é mais um objetivo, mas um fim natural para as coisas, não vejo motivo para prolongar o que já está longo demais. Corte. Apare. Interrompa. Pule para outra. Coloque um ponto final na relação e uma vírgula na sua. Escrever, neste caso, é uma tarefa que não pode ser delegada a outra pessoa, nem que seja seja seu(ua) noivo(a). Não comemore bodas antes de estar casado(a). Celebre o seu namoro. Celebre o seu casamento. E saiba a diferença entre eles – não apenas em termos de duração.

Bom dia a todos!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

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