O que aprendemos com uma comédia romântica?

As comédias românticas mais atrapalham do que ajudam as nossas vidas (há até alguns estudos neste sentido, a maioria internacionais). Um parênteses nisso: depende do modo como significamos aquilo que vemos, com a ressalva de que se trata de uma obra de ficção e, que na maioria das vezes, aquilo não acontece. Pelo menos não daquele jeito. Se você acha que vai encontrar um galã daqueles e que ele vai fazer de tudo por você, não assista mais esse tipo de filme. Mas se você assiste e pensa naquelas situações, aprendendo com as mesmas (e refletindo sobre as suas próprias experiências), daí sim pode ser um programa não apenas divertido, mas enriquecedor.

Ontem assisti a uma que estava mais para comédia do que para romântica. Hilária (não no sentido da palavra, mas está valendo). Mas tem uma mensagem interessante. No filme, um dos protagonistas fica famoso por seu programa no qual analisa as mulheres (um programa chamado “A verdade nua e crua” – título do filme também). Sua tese principal: homem só pensa em sexo. O que o filme mostra? É que nem sempre isso acontece. E não mesmo. Homens pensam sim em sexo. E as mulheres também, tanto quanto eles. Homens também podem ser sentimentais, podem se apaixonar e ficarem bobos. O filme é clichê neste sentido. O que ele mostra de melhor – e isso não é a sua preocupação – é que quando queremos controlar demais as situações acabamos ficando rígidos demais, secos demais, fechados demais para qualquer relacionamento (é a saga da protagonista). O nosso modelo perfeito acaba ficando não apenas perfeito, mas inacessível. E quando racionalizamos demais (tipo um checklist de tem e não tem tal característica que apreciamos), nunca encontramos alguém que satisfaça plenamente tudo aquilo que listamos para encontrar alguém (ou afastar qualquer possibilidade de encontrá-lo). Veja o clipe, assista ao filme, mas esqueça o seu checklist da pessoa perfeita em uma gaveta – de preferência aquela que você nunca abre.

Bom filme a todos!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

3 comentários em “O que aprendemos com uma comédia romântica?”

  1. Andréia e Leandro, obrigado por participarem!
    Andréia, assista ao filme, ele é muito bom mesmo!
    Abraços a vocês e escrevam sempre!

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