Então o amor também acaba?

Este é o título de um dos poemas de Paulo Leminski. No poema ele diz que o amor não acaba, mas ele se transforma. Talvez não seja apenas o amor que se transforme, mas nós mesmos. Ontem me encontrei com uma amiga que namorou durante muito tempo (para quem tem pouco mais de 20 anos, cinco anos é muita coisa). Ela disse que simplesmente acabou e que estão de “boa”. Fiquei surpreso com o fim do namoro e depois fiquei surpreso com a minha própria estranheza diante disso. Por que estranhar o que faz parte de nós? As pessoas sempre lamentam o fim de um relacionamento que, aparentemente, estava indo bem (pelo menos para os expectadores). As pessoas dizem: “que pena, nossa, vai passar, você é bonita, mas bem agora, por que isso?”. Mas na verdade elas deveriam simplesmente entender que a vida tem um desenho próprio e que estamos sujeitos a isso, a terminar e a começar, a iniciar e a fechar ciclos.

Isso nos ajuda a entender que a vida é movimento e que viver também é se atirar à mudança e as possibilidades que elas nos trazem sempre: de encontrar um novo amor, de resgatar um amor guardado e cheirando lençol mofado, de reformar a casa por dentro e por fora, enfim, n possibilidades. Não devemos estranhar os términos e ver sempre o lado negativo e doloroso disso. As borboletas precisam ser horríveis para se tornarem belas. E vivem pouco. Isso não significa que o seu relacionamento precisa ter prazo de validade. É preciso saber conservá-lo vivo e saber também quando é melhor enterrá-lo para que floresça um novo jardim. Você só precisa saber o tempo, o ciclo, a estação na qual isso deve acontecer – a natureza humana nem sempre é tão previsível quanto o início da primavera. Mas a primavera chegou, saiba disso.

Anúncios

Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

6 comentários em “Então o amor também acaba?”

  1. A primavera chegou e com ela as flores! E o que de mais bonito pode festejar o amor!?
    Ele vem e vai, como tudo na vida. Mas a esperança tem que ficar e sempre sorrir com a chegada da primavera!

    1. Erica,
      o importante é sempre pensarmos a respeito disso, não ficarmos presos na realidade, sem questioná-la, sem ver as mudanças que sempre ocorrem. E que a primavera sempre floresça!
      Beijos e obrigado pela participação!

  2. Esse post me fez lembrar.. “Em vez de correr atrás das borboletas, cuide do seu jardim… Elas virão até você.”
    Parabéns pelo blog, tenho acompanhado sempre que posso, está entre os “favoritos” e é leitura das mais prazerosas!!! Abraçãaaooo!

  3. Oi, Má,
    que bom que está gostando, obrigado pelos elogios!
    Cuidar do jardim é mesmo fundamental. Nem sempre é fácil tomar consciência disso e partir para a ação, mas é um exercício constante e com o qual só temos a ganhar e amadurecer.
    Grande beijo e saudades!

  4. Muitas saudades de vc tbm! Tanto pra dizer.. Que bom que aqui dá pra te encontrar um pouquinho!
    Ah, adorei tbm o post anterior, sobre arte e moda, que lindo!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s