Virar ou não virar a página?

4931-comunicacaoQuando algo nos faz sofrer, o óbvio é dizermos: esqueça, “esqueça se ele não te ama, esqueça se ele não te quer, não chore mais, não sofra assim…”. Isso é mais do que um convite para virarmos a página. Mas isso não é simples assim e nós não podemos nos programar para sentir ou não sentir algo. O que me ocorreu veio de uma conversa com uma amiga minha que contava sobre uma conhecida que não deixava de amar um ex que já estava em outro relacionamento, casado, com filho e bem resolvido. Ela ainda amava o “falecido”. As mais entusiastas pedem para que ela se olhe, transforme a si mema e parta para outra. O que esta minha amiga me disse foi que, na verdade, ela se apegava ao homem que não mais existia (mas existia dentro dela) para viver. E aí, virar ou não virar a página? Há pessoas que vivem também motivadas pela dor. O sentimento de angústia, de dor e de sofrimento pode ser tão necessário à vida quanto outros mais positivos e salutares como a alegria, a abertura, o encantamento, o apaixonar-se por alguém. Se o que te mantém vivo é a dor, é preciso ter ciência disso, compreender os n porquês dessa sua escolha. A vida que se escolhe viver é tão importante quanto aquela que consideramos possível de ser vivida.

Um forte abraço a todos!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

4 comentários em “Virar ou não virar a página?”

  1. É tão difícil nos “desapegarmos” de certas coisas, pessoas, gestos, atitudes… sofremos com determinada situação, mas não conseguimos deixá-la por ter medo de viver e deixar de lado o “se”, ah, se eu fizesse isso! se eu tivesse coragem daquilo!!! Sou bem assim! e me identifiquei muito com a conhecida da sua amiga,não que eu ame alguém que está com outra, amo a pessoa que está comigo, porém deixou de ser quem era e hoje amo não quem ela é, mas quem era. Complicado, né?! Sei que todos mudam, e por recordar o jeito que era a pessoa que amo, não a aceito como é hoje e não consigo virar a página: aceitar ou parar tudo. Somente gostaria que ela voltasse a ser um pouco de quem era! Eramos mais felizes!

    Bjos…

  2. Inevitavelmente as pessoas mudam. Até aquelas que parecem estar estagnadas, elas também mudam (pois o contexto muda, as pessoas com as quais ela se relaciona mudam e não há como ficar isento a isso). Qando você diz que gostava mais dele há um tempo atrás e queria que ele voltasse a ser como era, você também está falando como alguém que não aceita a própria mudança a que está submetida. Não foi apenas ele que mudou, mas você também mudou. E agora não apenas ele tem que conviver com uma nova mulher como você também tem que aprender a conviver com esse novo homem que, inevitavelmente, mudou. Se você se lamenta que está diferente, está desconsiderando que você também é uma pessoas diferente. Aceite as mudanças e perceba como isso pode trazer novas possibilidades, novos encontros, novos olhares. Tente ver a mudança como algo positivo e como uma oportunidade sempre aberta de fazermos diferente – e, por isso mesmo, sermos mais felizes!

    Um grande beijo!

  3. Esquecer não é fácil, ainda mais quando acreditamos no amor. É difícil um dia em que não pensamos em um relacionamento afetivo, sejam os que estão resolvidos ou os que estão se resolvendo. Quando ele se vai e promete que vai voltar, acho que deve ser ainda mais complicado! Mas virar a página é uma decisão… que acredito deve ser tomada quando já estivermos decididos a ser felizes.

  4. É isso mesmo, Erica, decidir ser feliz é uma escolha que somente a gente pode tomar e levar a cabo. É preciso tomar fôlego e virar a página para que novos textos sejam escritos.

    Beijos e obrigado pela participação.

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