Felicidade: “Precisa que haja vento sem parar”

Uma de nossas leitoras me mandou um email com a seguinte reflexão:

“Vim pensando sobre a felicidade. Nós temos a mania de achar (eu, pelo menos) que as coisas melhores acontecerão amanhã, se mudar de emprego, de curso, de casa, de cidade.Vivemos hoje para ser melhor amanhã, mas deixamos de ver algumas coisas hoje que são capazes de nos fazer sorrir, e sim, gostar das pequenas coisas é importante!! E por que tanta inquietação? Por que achar que o que vem de um lado que não é para onde estamos indo (e talvez nem possamos ir!) vai ser melhor? E por que não aceitar o que já temos como uma forma de ser feliz?”.

Querida, nada mais autêntico do que buscar a felicidade. Um problema nessa busca é justamente criarmos uma noção de felicidade que é inacessível. Pela Psicologia Positiva podemos aprender que para alguém se sentir satisfeito com a sua vida ele precisa desenvolver tanto afetos positivos quando negativos. Assim, não podemos eleger um modelo ideal e que nunca estará acessível totalmente, devemos trabalhar com as possibilidades que possuímos e dar o melhor sempre. Ser feliz não é sinônimo de não ter problemas, de não se sentir triste às vezes. Ser feliz não é sorrir sempre, é sempre preciso “um bocado de tristeza”. Na medida, como em um bom samba.

Você está certa quando diz que devemos olhar para o hoje. Não podemos mudar nada que passou e também não podemos ter certeza do que virá. Mas a nossa atitude pode ser acolhedora e podemos celebrar sim o dia de hoje, as coisas que possuímos e tudo aquilo que temos condição de ser e de fazer hoje. O ser humano se inquieta para ser feliz, mas nem sempre definimos ao certo a felicidade. O que é felicidade para você? O que você você precisa ter/ser para se sentir feliz? Faça esses exercício. Reflita. Independente da resposta, a felicidade deve ser sempre buscada e construída. Como diria o Vinícius de Moraes no seu “Samba da bênção”, para que sejamos felizes “precisa que haja vento sem parar”. Que façamos, hoje, esse pequeno vendaval em nossas vidas.

Grande beijo!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

2 comentários em “Felicidade: “Precisa que haja vento sem parar””

  1. Como diz Gonzaguinha:

    Quando a gente canta somente
    Aquilo que a gente sente profundamente
    Não há lugar nenhum para canção doente
    Porque a alegria se derrama quente

    Pois quando a gente canta alegria
    A força da canção explode, se irradia
    É como a luz do sol
    Sendo a luz da gente
    É como a luz da gente
    Sendo a luz do dia

    Ô oi felicidade
    Eu quero andar na vida namorando você
    Por todos os caminhos onde descobri
    Que apesar de tudo o meu povo sorri

    Ô oi felicidade
    Meu coração não mente quanto canta e diz
    Faço exatamente o que sempre quis
    E é muito importante que eu seja feliz.

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