Consultório de hoje: namoro que começa pela net

Recebi um e-mail este fim de semana (podem me escrever sempre: scorsolini_usp@yahoo.com.br) com uma dúvida. Sintam-se à vontade para comentar e ajudar a nossa amiga também.

A nossa amiga Carla (nome fictício) tem 29 anos e está há três anos sem um relacionamento sério. Há m mês ela conheceu um homem pelo orkut e, desde então, eles vêm se falando diariamente, pois se “apaixonaram” pela net. Já se viram duas vezes e, segundo ela, o encontro foi “mágico”, embora ainda não tenham transado (segundo ela, ainda não é o momento certo para isso). Em seu relato, Carla afirma que ele se mostrava diferente de todos os homens com os quais ela havia saído, que sempre lhe escrevia, lhe deseja bom dia, etc. Tudo estava bem, quando a partir de uma viagem dele na semana passada, ele mudou com ela. Parece não estar mais envolvido, não a procura tanto como ela, enfim, algo parece ter esfriado. Carla diz que quer muito estar com ele, mas tem medo de estar pressionando por ter declarado que gostaria de namorá-lo. Ele relatou que quer ir devagar, pois foi traído em seu último relacionamento. E aí seguem as suas dúvidas: “desligo o celular? Não o elogio mais? Acho que ele está com o ego lá em cima… Eu o deixei seguro demais?”

Bem, Carla, quando estamos mais fragilizados e descrentes em qualquer relacionamento, com uma autoestima mais abalada (você fala disso até um pouco em termos profissionais), podemos ser alvos fáceis de pessoas bem diferentes da gente. A internet tem o seu deslumbre e receber uma mensagem de bom dia às vezes é mais fácil que ver a pessoa acordando ao seu lado todos os dias. Pela net, ninguém é realmente aquilo que é, é preciso saber disso para não se envolver com qualquer pessoa que te dê a atenção que merece. Se você não está bem consigo mesma e teme encarar outros homens de frente, a net é um alívio. Mas isso é perigoso. No conluio das aparências, a essência de cada um se perde e as pessoas são aquilo que desejam. Se fechar em casa não vai funcionar, o que precisa fazer é estar mais segura para sair, para se mostrar e não para, necessariamente, encontrar o amor da sua vida naquela noite. Saia por você, se abra por você. O resto é consequência e isso nem sempre vai depender só de você (mas do lugar, das pessoas, da sua atitude, das possibilidades, de sorte até).

Em relação a este homem, ele parecia estar envolvido também ou o namoro aconteceu só na sua mente? Não foi um fato ocorrido no dia 2/11 que o afastou de você. E não foi você quem o afastou também. Ele pode ter se afastado por muitos motivos (você não tem que ficar tentando adivinhar) e se ele tem medo de ser traído, o problema é dele, e não seu. Você não tem que ficar dando segurança para ele (nem sempre um homem que foi traído busca uma mulher que lhe dê segurança), não tem que ser a melhor amiga que ouve, que aconselha, que está junto como quem diz: sou sua mulher para qualquer coisa. Você tem também as suas prioridades e as suas necessidades. Quem olha pra você? Quem se preocupa com você? Quem quer lhe dar segurança?

E agora vem o conselho final: você já disse que está a fim dele. Você já demonstrou o que sente. Agora é a vez dele. Não desligue o celular, mas deixe que ele a procure. Se ele não procurá-la é porque ele não está a fim, não está preparado, está com medo de se machucar ou qualquer coisa do tipo. Não pegue isso para você! Seja firme em sua postura, pois você já fez a sua parte, você se envolveu com ele. Sinta o terreno e não invista se sentir que é uma “furada”. (E se você for teimosa… Invista para que dê certo ou então que você veja que ele não é para você).

O que pode tirar disso, independente do final dessa história: você pode sim amar e se entregar muitas e muitas vezes. Isso é maravilhoso e sadio, mostra que você tem muitas coisas boas a oferecer e a receber de quem esteja aberto e disposto a te encontrar. Você pode amar! Agora é ele que tem que reaprender isso.

Grande beijo e seja feliz!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

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