O que podemos aprender com a família de Luciana, de “Viver a vida”

Hoje vamos falar de relações familiares. A novela “Viver a vida” tem abordado a questão do impacto de uma doença na estrutura de uma família. A personagem Luciana, após sofrer um acidente de carro, ficou tetraplégica. O que me chamou a atenção é o modo como a sua família está vivenciando isso. Assisti a uma cena em que a mãe da personagem estava conversando com as suas outras filhas a respeito de como elas deveriam se portar diante da irmã, que deveriam transmitir a certeza de que ela se recuperaria. As irmãs perguntavam se poderiam usar algumas coisas que antes eram usadas por Luciana, como aparelhos de ginástica e roupas. E a mãe, resoluta, afirmava que não deveriam mexer em nada.E uma das filhas dizia: “Eu também sou sua filha.”  Por mais que pensemos que o membro doente da família merece toda a atenção, é preciso entender que toda a família está em um momento de sobreaviso, de análise, de pausa para uma reflexão.

Quando algo desses ocorre em uma família, todas as relações se modificam: os laços podem tanto se afrouxar como se tornar mais seguros, amizades podem ser criadas, outras podem desaparecer, enfim, não podemos dizer como a família e o meio social (nem o paciente) vão reagir à doença. Pelo lado da paciente, é importante perceber a preocupação da família, o carinho com as pequenas coisas, mas não é nada saudável ver a família toda mobilizada (o tempo todo) em função dela. O sentimento de pena e de que a pessoa é totalmente incapaz (inclusive de pensar ou de sentir, ainda que não se mova) acabam sendo passados para a paciente.

Para as irmãs (que continuam sendo irmãs e filhas – sim, a mãe não pode pensar apenas na filha doente), é preciso ter paciência, mas aqui cabe destacar que os pais devem se manter presentes na educação delas, apesar de, aparentemente, precisarem menos de cuidados. Mas também precisam de amor, devem ser olhadas, respeitadas, acolhidas em seus conflitos. Uma doença na família pode ensinar a todos os seus componentes que é hora de mudar e que isso pode ser algo bom na vida de todos, algo que traga mais afeto, mais união e mais possibilidades de contato, contato esse que acaba sendo colocado em segundo plano na nossa vida diária, infelizmente. Talvez seja o momento de cultivarmos nossas relações (com entrega! com verdade!) e de re-estabelecer os laços que porventura tenham sido desfeitos.

Bom feriado a todos!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

2 comentários em “O que podemos aprender com a família de Luciana, de “Viver a vida””

  1. Creio que é tempo de fazermos uma reflexão sobre nossa VIDA e a importância de nossa FAMÍLIA. No olhar do outro, que está ao nosso lado é revelado as palavras mais belas e os carinhos mais plenos. Talvez nossos lares precisam mais desse olhar. Que se calem as palavras de ofensas e prevaleça o AMOR. Bom final de Semana!!

  2. Oi, Juliano, obrigado pela sua participação! Talvez seja esse o caminho mesmo, de mudança de olhar, de foco na família e nas nossas relações.
    Abraços e bom fim de semana para você também!

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