Fundamental é mesmo o amor, é (im)possível ser feliz sozinho…

Muitas pessoas escolhem uma música especial como o tema da sua vida ou como o tema da sua história de amor atual. É inegável que ter alguém, estar apaixonado, ficar rindo sozinho pelos cantos é gostoso. É ótimo e deve fazer muito bem para o coração, para o pulmão e para outros tantos órgãos que não caberiam aqui. A felicidade faz bem, isso é ciência. Mas a felicidade pode estar em muitas coisas, inclusive em você. Podemos nos satisfazer de diferentes modos, com diferentes companhias, fazendo coisas impensáveis, pensando, escrevendo, correndo, dançando, passeando, viajando, enfim, de muitos modos, por isso é muito bom ser humano e poder atribuir sentido ao que fazemos e ao que queremos fazer. Engana-se quem acha que essa música do Tom se refere apenas a um amor avassalador. Eu a interpreto de outras formas, também.

Eu realmente acho que é impossível ser feliz sozinho, precisamos de tantos outros que já nos constituem. Quando falamos, nos remetemos aos discursos de outros, nos remetemos mesmo inconscientemente à presença de alguém que nos constitui: as palavras de nossos pais, nossas experiências, os livros que lemos, os discos que compramos, os versos que rasgamos, os amores que vivemos e que nos acompanharão para o resto da vida. Assim, sempre tem um outro na nossa vida, queira você ou não…

O problema é quando a gente se fixa no fato de querer que esse outro seja o amor da nossa vida, o príncipe encantado ou qualquer outra denominação. Quando falamos em amor, não nos referimos apenas ao amor carnal entre duas pessoas ou ao amor romântico. Estamos falando de afeto, de carinho, de respeito, de amor próprio. E só podemos amar a nós mesmos a partir dos outros também. Nunca estamos sozinhos e nem nunca estaremos. Mas se você se sente sozinha demais, pode começar a procurar. Mas, sinceramente, desejo que, distraidamente, você encontre a si mesma, baixando a ansiedade e buscando atribuir novos sentidos às músicas que nem sempre nos fazem sair das fossas nas quais entramos. Ressignificar os outros é uma tarefa deste dia, então é bom tentar. Nada vai ser fácil se você estiver resistente em se aceitar, em aceitar as suas limitações, de entrar em contato com as suas reais demandas. Do que você precisa para ser feliz? Não vale dizer que é alguém – assim, a resposta vai depender sempre do outro, mas um outro que nem conhecemos ainda e que não se pode dizer realmente se queremos conhecer. Conhecer o outro é um pouquinho como conhecer a gente e daí é que começa o desafio POSSÍVEL!

Um beijo!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

2 comentários em “Fundamental é mesmo o amor, é (im)possível ser feliz sozinho…”

  1. Nossa você mais do que nunca convicto e convincente diante dos seus conhecimentos. Verdadeiramente eu não estava vendo que o outro pode ser a falta que tenho em mim, um livro pode ser a falta que tem em mim…Mas tudo isso deve ser realizado do fundo do coração…Na minha vida eu vinha fazendo tudo isso: Lendo, viajando, ouvindo música; Mas de forma vaga…Esse conceito que você me transforma faz com que eu intensifique esses fatos, fazendo com eles me tornem feliz no momento em que eu os realizar. Estou focando minha vida nesses atributos Fábio, e não quero que o príncipe encantado desabe meu castelinho não…Não serei presa fácil, ingênua e aquela que se põe a espera de algo que ainda nem conheço, e como você diz: “realmente se queremos conhecer” Será que no fundo em também quero abrir mão dessa minha vida fantástica? Por que cá entre nós, a vida de solteiro tem lá seu lado bom também. Acho que isso tudo que você sugeriu se chama: Olhar para o outro lado, ver outras oportunidades…
    E com certeza passarei a dar mais valor a tudo isso!!!
    Grande abraço e obrigada por tudo!!!
    Mila.

  2. Oi, Mila,
    um ponto de partida é: não há receitas e não tem muito certo e errado, o importante é você estar em paz com as suas escolhas e ter maturidade para fazê-las e assumi-las. Tanto a vida de casado e a vida de solteiro têm as suas partes boas e ruins, mas uma coisa que não muda (com o status de ter ou não um relacionamento) somos nós. Assim, devemos investir em nós para que nos conheçamos melhor e para que possamos buscar a nossa felicidade, esteja ela perto ou não.

    Boa sorte!

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