Início de ano, hora de amar

Queridos leitores,

Espero que tenham passado ótimas festas de fim e início de ano! Depois de férias da atividade da escrita, estou de volta. Espero que neste ano possamos dialogar ainda mais e utilizar este espaço para construir novos significados e para tornarmos nossas vidas mais saudáveis emocionalmente e mais dispostos para a felicidade e para o autoconhecimento.

Vamos começar o ano respondendo a uma dúvida enviada por um de nossos leitores. Trata-se de um homem de 33 anos, graduado e que se apresenta como “bonito e inteligente”. Ele destaca em email que busca um relacionamento homoafetivo mais sadio. Ele diz que namorou por quase dez anos com outro homem e depois disso tentou outros relacionamentos, mas nenhum teve sucesso.  E onde está o problema dele?

Um dos pontos que eu gostaria de analisar é que este quadro não ocorre por se tratar de um relacionamento homoafetivo. É óbvio que há particularidades em relacionamentos homoafetivos e heterossexuais, pois negar a diferença é também uma forma de tornar invisível a questão. Mas não gosto das estereotipias: homem é assim, mulher é assado, gay é diferente, no mundo hétero as coisas não funcionam dessa forma… Feitas as devidas considerações em torno das particularidades que permeiam cada um desses “mundos”, pode parecer óbvio, mas é preciso considerar que todos estão no mesmo mundo e que conviver não é uma tarefa simples, embora nos seja constitutiva.

Como sempre destaco aqui, um ponto é a atitude de abertura ao outro. Infelizmente, quanto mais vivemos e mais experiências vamos adquirindo, podemos nos tornar mais endurecidos para a vida e menos crédulos nos relacionamentos. E daí podemos cair na falácia de que nenhum relacionamento serve, de que nenhum homem ou mulher vale a pena, de que o amor é uma enganação ou mesmo de que não somos merecedores do amor ou de sermos amados. A atitude de amor começa dentro da gente. Sim, no amor que dedicamos a nós mesmos, na atenção que damos aos nossos gostos, preferências, ao tempo que nos damos de presente – será que você se dá um tempo diário, dedicado unicamente a você? Em segundo, no modo como nos dedicamos ao outro.  A idade, as experiências, os encontros e as diferentes vivências devem nos fortalecer e nos tornar melhores, mais maduros. Mas isso não significa distância ou uma atitude de superproteção em relação a nós mesmos e que nos fecha e nos bloqueia para os outros encontros que podem mudar a nossa vida.

Nenhum relacionamento será igual ao outro, a não ser que você não amadureça e continue a repetir padrões menos adaptativos a cada novo namoro. As possibilidades de encontro e de não-encontro são as mesmas, independente da idade (não é só você que envelhece ou que amadurece).  A terapia é um bom caminho para que você possa cultuar os ganhos do ato de amadurecer, de se transformar e de rever as suas prioridades.

O processo de repetir é normal, mas é preciso também elaborar nossas antiguidades emocionais e propor novos padrões de atitude diante da vida, dos sentimentos e de nossa vida emocional.

Uma semana repleta de boas notícias a todos nós.

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

2 comentários em “Início de ano, hora de amar”

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