Estar ou não na moda!

A consultora de moda, Erica Eme, dentro da caixa branca da São Paulo Fashion Week. O que quer e o que pode essa roupa?

Enganam-se as pessoas que acham que moda é futilidade e que não passa de estampa, de superfície, de bajulação, luxo, coisas desnecessárias, um mundinho de vaidades e de pseudo-preocupações. A arte é necessária ao viver e a moda ultrapassa esse status, assunto que já foi alvo de nossas conversas no ano passado. Quero me referir à moda que está em nosso corpo, que é o nosso corpo e que representa aquilo que somos, é a nossa expressão no mundo.

Podemos conhecer muito de uma pessoa pelo modo como ela se veste, e isso não tem nada a ver com o fato de se “estar bem ou mal vestida”. Estar bem ou mal vestida é questão da norma vigente (e existe norma até para ser transgressor!). Usar ombreiras ou não é questão de contexto. Falo da roupa como uma parte da gente. Se a gente se revela no modo que escreve, na música que gosta, na poesia que lê e no tipo de namorado que se escolhe, é óbvio que a roupa mostra muito mais da gente do que podemos imaginar. “Com que roupa eu vou?… pro samba que você me convidou”. Gilberto Gil já apontava para esta direção há anos atrás. Assunto de ontem e também de hoje, por que não?

A roupa pode dizer se estamos felizes ou não, se estamos sendo amados ou não, se estamos amando (a gente, o mundo, outra pessoa) ou não. A roupa nos fala se ousamos, se somos corajosos, reservados, tradicionais, espertos, astutos, apaixonados, crédulos, enfim. É pela roupa (também) que podemos “ler” uma pessoa. Claro que não podemos conhecer alguém só olhando, observando, mas o fato é que se pode dizer muito apenas vestindo algo. Assim, há muito mais “cuca” no vestido que você usa do que estampa.

Ultrapassando os modismos ou o que combina com o quê, é importante pensarmos nas roupas que combinam com a gente, não com a cor dos nossos olhos, mas com a cor da nossa alma. Como eu posso mostrar ao mundo como eu sou por meio de uma roupa? Como isso (e outros elementos como o olhar, o afeto, o sorriso e a forma de encarar a vida) mostram aos outros quem eu sou, quem eu desejo ser e qual a música que é o tema da minha história. Use e abuse do seu autoconhecimento para se autoconhecer também pelo que veste. E isso vai mais fundo na sua alma do que sonha um analista de superfície. Estampe na sua roupa o tom do seu momento e se abra à possibilidade sempre emergente de construir significados em torno disso.

Beijos a todos!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

8 comentários em “Estar ou não na moda!”

  1. a moda representa o que vestimos por dentro!

    adorei seu texto, posso te citar nos meus prossimos trabalhos do senac?

    bjobjo

  2. Os seus textos são sempre perfeitos! Incrível como você fala de um assunto e consegue desvendar a essência de cada um deles! A moda é incrível. Ela não precisa ser uma ditadura e sim uma forma de expressão e liberdade!
    Obrigada por compartilhar conosco sua sensível forma de ver o mundo!
    Um beijão!

    1. Amada,
      você é uma inspiração constante para mim. E confesso que muito do que eu penso sosbre moda hoje em dia tem o seu toque. Que delícia ver que você pulsa por isso.
      Beijo grande e também te amo!

  3. obs.: estou bem descontrolada neste momento. tem um monte de erros de português. gentileza não considerar! ó, meu amado!
    rs
    amo-te!

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