O que é uma DR, afinal?

Que DR é a sigla para a expressão popular “discutir a relação” todo mundo sabe. O que algumas ainda não sabem é que DR virou quase uma gíria nos dias de hoje. E daí começam os clichês: DR é coisa de mulher (como se a fala fosse exclusiva do gênero), que só mulher busca uma DR (como se o pensamento também fosse exclusivo delas), DR acaba com o relacionamento (sentença!), casamento com muita DR não traz felicidade (correlação científica, não?), é melhor fugir de uma DR (escuta quem tem juízo), é melhor fazer amor do que tentar uma DR (DR significa sem amor?).  Outra possibilidade que é divulgada: a melhor DR é deitar e rolar (estou falando de sexo). Embora o senso comum afirme que discutir não é bom, ouso pensar justamente o oposto disso. Em relacionamentos nos quais não há o diálogo, também não há muita abertura para se conhecer o outro e aceitá-lo em suas diferenças (isso também é amor). Tudo na sua medida: uma relação não tem que ser um consultório de problemas afetivos, mas não precisa ser um espaço de troca de fluídos apenas, como se tudo girasse em torno do sexo. Discutir, conversar, se acertar, ponderar, conhecer o parceiro também são formas de amor e de nutrir aquilo que liga duas pessoas. Conversar é muito importante, inclusive para saber se o relacionamento é mesmo algo que contribui para o desenvolvimento do par.

Pensando nisso, sugiro um novo significado para DR. Que tal pensarmos na DR como “desenvolver a relação”, “despertar o respeito”, “desconstruir a raiva”, “dominar o rancor”, “desculpar rumores”, “dialogar com a razão” ou mesmo “descobrir o relacionamento”? Diálogo e respeiro (DR) são fundamentais para qualquer casal, em qualquer nível de intimidade, de entrega e de expectativa acerca do futuro. Se você só conversa com o seu parceiro para saber se ele pagou a prestação do carro ou para perguntar onde está a chave do armário da dispensa, pode ser uma boa hora para ressignificar uma DR. Isso não vai “salvar” a relação (não é questão de vida ou morte), mas vai ajudá-los a amadurecer e, quem sabe, ver mais alegria e afeto onde as outras pessoas só veem siglas.

Beijos a todos e uma ótima semana!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

7 comentários em “O que é uma DR, afinal?”

  1. Fábio,

    Adorei os resignificados para DR…!
    Mas quanto se fala da antiga ‘discussão de relação’ é a única hora que a maioria dos homens acreditam no dialogismo do Baktin, né? “Amor, eu não preciso abrir a boca, mas nós estamos em uma situação dialógica, baby”

    kkkkkk

    beijo

  2. Ai, fiquei pensando agora na polifonia, na verdade. Se eles descobrem que isso existe, vão achar que é coisa de mulher, rs! Dá-lhe DR para dar conta de tanta voz!

    Beijos, Dai!

  3. Adorei os significados tambem, mas teve um dia que me perguntaram: ‘você tem DR com sua namorada’, eu disse que sim vários DR’s, isso mesmo, váriOOs Dias Radiantes 😀

  4. que bacana minha vida td eu tive uma DR no principio qd namorava c ele hj já casada continuo tendo uma DR já estamos juntos no total 31 anos agora em agosto vamos fazer 25 de casada

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