São as águas de março fechando o verão…

Tom Jobim e Elis Regina imortalizaram a interpretação da música "Águas de março", composta por Tom, no disco "Elis & Tom", de 1974.

Tirando o caráter político da música “Aguas de março”, composta por Tom Jobim, e o seu contexto de produção, ela pode ser um disparador para mais uma de nossas discussões. Se a vida é feita de ciclos, é cada vez mais necessário compreender que eles são diferentes e podem nos agregar experiências novas e também transformadoras. A natureza está aí para nos ensinar o ritmo. Com a nossa vida (afetiva, profissional e os n compartimentos que a gente arranja para classificá-la, resumi-la ou simplesmente entendê-la) é a mesma coisa. Pelo menos podemos interpretá-la assim, neste final de março.

Há pessoas que estão no ciclo da tragédia grega, também conhecida como drama mexicano. Visualizaram a imagem da mulher sofrida? Tudo acontece com ela! A mocinha é a que é pobre, traída pelo marido, perde o emprego, o cachorro morde a sua perna, a casa cai, o cataclisma a persegue e dá-lhe choro para lavar a alma. Outras estão no movimento em que nada as abala: nem o vento, nem a chuva, nem um teremoto: ela dá conta do que vier ou de quem vier. Há ciclos em que tudo dá certo. E há ciclos em que tudo parece dar errado. Nem certo e nem errado, o que vale mesmo é a regra de que tudo está em movimento. Por mais parada que possa estar a sua vida (há também aqueles que estão na fase da estagnação, à espera de uma escolha de Sofia para agitar a sua história e conceder-lhe um Oscar, como aconteceu com Maryl Streep), ela está se movimentando. A direção em que isso ocorre é que pode ser administrada pela gente (pelo menos quando não há intempéries naturais envolvidas).

Passar por uma fase boa ou ruim não quer dizer que ela veio para ficar (por mais que ela dure, ela vai passar). Vivemos de transitoriedades, e isso é o que mais assusta e mais encanta no viver. As águas correm, as águas lavam, o sol sempre reaparece para aqueles que colocam o rosto para fora da janela. Que tal fechar o verão e começar uma fase novinha e com ânimo realimentado?

Esta pode ser a promessa de vida no seu coração.

Beijos e boa semana (santa)!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

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