Vista o seu abadá e siga o seu trio

O carnaval passou já faz um tempo e as micaretas começam a brotar em várias cidades, gerando trabalhos temporários, incrementos ao turismo e novas possibilidades de contato. Quantas pessoas vão para uma micareta procurando namorado? Provavelmente, não muitas. Aliás, este não é o ambiente mais adequado para se firmar um compromisso sério (mas conheço casos de namoros bem-sucedidos que começaram em micaretas!). Se você está procurando um amor real, não vá para uma festas dessas com esta intenção. Vá para se divertir e ponto. Agora, se você quer sair para beijar na boca e só (será que é só?), vista seu abadá e mãos à obra.

Se você sai de casa apenas para beijar, talvez seja hora de se perguntar por que faz isso. Em uma certa faixa etária, isso é bem comum, quem não beija é feio, tem problemas ou deve ser excluído (e ninguém quer isso para si). Você olha para uma pessoa, a acha atraente e vai lá trocar fluidos. Vai e beija, sem culpa. Há pesquisadores que dizem que ninguém estabelece vínculos fazendo isso (acho que vínculo nem é a palavra), há outras pessoas que acham isso normal, que antes de ter “algo sério” é importante experimentar. Concordo que experimentar é bom, mas nem sempre podemos experimentar e nos preparar para as coisas (boas e ruins) que nos acontecem na vida. Assim, a desculpa de experimentar não cabe muito bem. Agora, se o intuito é contabilizar ficantes, vá para a disputa (está disputando com quem mesmo?) e se jogue na balada. Só tome cuidado, se for mulher: há muitos homens que também fazem disputas de quem “pega” mais meninas. E esse “pegar” passa por brincadeiras como: quem pega mulher mais gorda (contabilizam em arrobas, pasmem vocês), mais feia, mais velha (contam em anos) e por aí vai. No jogo do “pega-nunca se apega” vale tudo – para quem joga e sabe jogar. Mulheres também jogam com os homens e por aí vai.

Aonde isso vai chegar eu não sei. A questão é que na maioria das vezes as pessoas apenas “atuam”, vão lá e beijam, sem se perguntar o que ganham efetivamente com essa prática, o que isso acrescenta em suas vidas, enfim. Uma hora todo mundo pensa nessas coisas. Uma micareta talvez seja um espaço muito curto para fazer isso: pensar. Caminhamos para uma realidade na qual o pensar está fora de moda, fora do carnaval, fora das festas, fora da alegria. Pensar talvez não seja um exercício para o “durante”, mas para o “antes”.

Vista o seu abadá e junte-se aos seus. Só não se esqueça que “todo seu carnaval tem seu fim”.

Abraços a todos e ótima semana!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

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