Infidelidade é questão de inteligência?

Segundo estudo realizado em Londres e veiculado pelo Jornal da Globo, os homens infiéis são menos inteligentes que os homens que não traem. (Veja reportagem completa em: http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1511443-16021,00-PESQUISA+GARANTE+HOMEM+INFIEL+TEM+QI+MENOR.html)

Helena (Taís Araújo) e Marcos (José Mayer), personagens de "Viver a vida".

Segundo a reportagem, “o pesquisador londrino trabalhou com os dados de duas pesquisas americanas que mediram o quociente de inteligência – QI – de milhares de adolescentes e adultos. O autor do estudo associou a fidelidade masculina à evolução da espécie. Os mais evoluídos são mais fiéis, segundo ele”.

Não encontrei pesquisas brasileiras que façam tal correlação – entre infidelidade e inteligência, mas há motivos para pensarmos que o comportamento infiel tem a ver com uma série de outros fatores, até mesmo a consideração de que isso é algo característico do ser humano. Mas por que queremos descobrir tanto os motivos que levam à infidelidade? Porque ninguém gosta de ser traído, trocado, substituído, deixado de lado. Isso também é bem humano.

Pesquisas à parte (temos que lê-las com muito cuidado para não rotularmos pessoas e comportamentos), se fosse apenas uma questão de inteligência, haveria formas mais adequadas de promover relacionamentos mais saudáveis, sem infidelidade. Se fosse apenas uma questão de QI, bastaria que a mulher perguntasse ao futuro marido qual a sua pontuação neste teste para se casar ou não. O que eu quero dizer é que as coisas não são simples ou previsíveis assim, que isso não se aplica a qualquer cultura, qualquer sociedade, qualquer tipo de relacionamento e que não há uma resposta definitiva ou um diagnóstico preciso que alivie a sua ansiedade.

Poderíamos supor que o personagem Marcos, de Viver a vida, não é dos mais inteligentes, mas eu arriscaria dizer que ele não é dos mais maduros. Várias mulheres, dois casamentos, filho gerado em relacionamento extraconjugal, ele corporifica bem aquilo que entendemos por um homem infiel. No fundo, ele se afasta de si mesmo ao buscar em uma nova mulher respostas não apenas para os seus desejos, mas também para as suas carências (de colo, de afeto, de compreensão, de respeito, de ser visto). Só que na novela das oito a infidelidade masculina declarada e o desrespeito à mulher (“objeto” que também é “objeto de desejo”) não causam mais horror ao público. Infelizmente, é o fato de haver uma protagonista negra (também traída) que ainda rouba a cena. Creio que a infidelidade também tenha seu público cativo.

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

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