Namoro a distância “dá certo”?

Hoje em dia a gente acaba fazendo muitas coisas a distância: estuda, namora, compra, vende, encomenda, medica, consulta, pergunta, movimenta, divulga, panfleta, admira, abraça, exercita, gosta e até se apaixona. A tecnologia está aqui para nos ligar e, inclusive, para nos manter a uma certa distância segura. Mas hoje vamos falar sobre namoro a distância (NAD). E isso pode ser mais complexo do que imaginamos, pois há alguns tipos de NAD.

Isso é que é contato virtual!

Vamos a um primeiro caso: namoros que começam a distância – ela mora em Manaus e ele em Porto Alegre, se conheceram pelo bate-papo/Orkut/MSN/Twitter, são estudantes e não há quaisquer perspectivas para que se encontrem e se conheçam na realidade, pelo menos nos próximos doze meses. Chance disso dar certo: quase nenhuma. Senso de realidade: vocês se conhecem?; sabem qual o cheiro do outro?; acordou com o namorado para saber se a paixão é a mesma de manhã?; tem dinheiro para visitar o parceiro?; há uma chance real de morarem mais perto?; seus pais já sabem disso?; você confia em uma pessoa que nem conhece ainda?; precisa fazer mais alguma pergunta? Trate de aumentar a autoestima e procurar alguém por perto, é impossível não achar ninguém interessante!

Segundo caso: namoros que começam no modelo presencial e precisam migrar para o NAD – vocês namoravam há cinco anos, um vivia na casa do outro, se viam e se falavam o dia todo, iam ao cinema em meio de semana e um sabia da rotina do outro. Um belo dia, um dos dois vai estudar fora e o namoro passa a ser aos fins de semana ou quando o dinheiro permite um reencontro casual. Chance disso dar certo: alguma. É importante saber se o que sentem é realmente forte e só tempo vai dizer isso (ter que namorar a distância não é uma sentença de fim, pelo contrário). Além disso, é importante compreender que as coisas mudaram e cada um vai ter que aceitar que o outro vai mudar (pela entrada na faculdade, por ter conseguido outro emprego e pelo próprio fato de estarem amadurecendo com o tempo e com a distância). Se cada um der um voto de confiança ao outro e entender este período como uma fase de vida e do próprio namoro, este pode até ficar melhor. Vocês vão evitar a rotina e passar a contar os minutos para se verem, em uma perspectiva positiva de análise.

Terceiro e último caso: quando a distância é maior – a sua namorada foi para o exterior, por um ano. Ótimo para ela! Para você isso pode ser ótimo também. Nada de cair na farra, entenda este período como uma fase na qual você também pode e deve crescer, amadurecer, começar novos projetos, traçar seus próprios caminhos. Nem sempre é mais fácil para quem viaja (estar no exterior não quer dizer maior oferta de homens, nem que a sua namorada vai fazer mais sucesso que aqui). Então, nada de ficar torcendo o nariz para a viagem dela. Procure fazer a sua viagem também e mostre a ela a sua maturidade. Ela vai reconhecer e admirá-lo ainda mais. Chance desse namoro dar certo: pouca, mas depende da fase de vida na qual isso acontece, se a viagem é para a Disney ou para Amsterdã, etc.

E agora você pode me perguntar: todo NAD tem pouca chance de dar certo? Não! Em tese, acho que as chances são as mesmas de um namoro “presencial”. O que aproxima as pessoas não é o fato de morarem juntas, perto, na mesma cidade ou estudarem na mesma sala. Distância entre os parceiros tem mais a ver com o distanciamento que as pessoas se impõem. Sendo assim, para o seu namoro (mesmo o NAD) “dar certo”, é fundamental que ambos se abram à possibilidade de encontro, ainda que este tenha que esperar.

Beijo grande e ótima semana!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

17 comentários em “Namoro a distância “dá certo”?”

  1. Oiii

    Desculpa, eu não resisti, vou ter que falar.

    Namoro a distância, meu caso foi desse primeiro aí. Onde as chances são as menores, onde todo mundo fica achando que você é louca e que não consegue arranjar alguém de perto e por isso, arranja alguém de longe.

    Não se preocupe, eu sei que você foi bastante delicado com o assunto, eu gostei do seu texto. Mas é que me tocou, “falou de mim”.

    Meu namoro ‘dura’ a um anor e nove meses. E até hoje eu sinto a mesma coisa, a mesma emoção, até hoje meus planos só fazem aumentar e eu vejo siiiiiiim, um final mais junto. Sem precisar de um computador para ter que falar com o meu namorado. Sempre nos encontramos nas férias (é quando dá, né? )e pode certeza, é sempre o melhor momento da minha vida.

    Eu acho que as pessoas julgam demais os outros. Julgam até quem elas namoram. Acontece que quando você encontra alguém legal, quando você se acostuma a conversar com alguém, fica amigo e a convivencia vai crescendo a cada dia, não é a mesma coisa de conhecer alguém pessoalmente e começar a gostar dela? Eu sei que falta o cheiro e o tato, mas isso a gente imagina, isso a gente conhece depois e no meu caso, fez com que eu gostasse mais ainda do meu namorado.

    A saudade é realmente algo que aperta, mas quando a gente sabe que vale a pena sim esperar por alguém, a gente espera.

    E se num futuro distante ou não, meu namoro acabar, pra mim, ele deu certo sim. Deu certo enquanto durou. O fim, acontece pra todo mundo, distante ou não.

    Concordo com seu último paragrafo.

    Beijo,
    Nara

    1. Oi, Nara, que bacana o que escreveu!
      Adoro ouvir essas histórias de amor que “dão certo”. Um amor deste tipo é justamente aquele no qual as pessoas se entregam, vivem intensamente e se doam, não importa a distância ou as dificuldades pelas quais tenham que passar. O “primeiro caso” é mais quando as pessoas não se conhecem e nunca se conheceram (ou seja, fica no mundo platônico). Acho isso meio perigoso, pois é tudo muito fundado na incerteza e no que as pessoas imaginam que as outras são. Mas, no seu caso, é só a distância que existe, vocês se conheceram e estão juntos, com planos, com expectativas futuras, etc. Isso é ótimo! E gostei como concluiu o seu comentário: “dar certo” á algo bem relativo e há muitos namoros longos ou “presenciais” que apenas existem. Então, a distância é um fator a mais a ser considerado, não o que sentencia se algo prosperará ou não. O importante é viver por todos os poros.
      Obrigado pelo seu comentário!
      Beijo grande e boa sorte!

  2. Fabito,
    Ainda sou meio pessimista quando o assunto é namoro a distância. Mesmo você conhecendo a pessoa desde sua infância, fica difícil passar por cima do ciúme e da desconfiança.
    Sou a favor do “peguete” a distância. rs. Assim você não corre o risco de criar galhos na sua cabeça. :p
    Deixando as brincadeiras de lado, concordo com você. A distância é imposta por nós mesmos.
    E, mesmo falando que não acredito em NAD, lá no fundo eu acredito sim, pois um amor verdadeiro tem força pra superar muita coisa. 🙂
    Beijos.
    ps. Vou pensar em algo e pedir pra você postar na semana do pessoal da tarde. hehe. Se prepare, porque você já viu que sou problemática. rsrs.

    1. Aline, adoro os seus comentários, sempre muito inteligentes! O peguete a distância deve ser algo bom também, rs! Mas é o que eu sempre falo: depende da fase em que estamos. Se a hora é de aproveitar e não se vincular a ninguém (para não sofrer e para não fazer ninguém sofrer também), que assim seja. Temos que ser honestos com as nossas necessidades e com as nossas potencialidades.
      Beijo grande!

  3. Olha, qdo vi o post, vim correndo! Eu me enquadro no exemplo 2. Fazia quase dois anos de namoro qdo meu namorado foi trabalhar em outro estado. O começo foi mto difícil, sofri mto, perdi peso, o sono… enfim, eu não esperava que fosse tão difícil a adaptação. Mas tudo isso passou, faz quase um ano q ele está lá, e nos vemos uma vez por mês. Com relação a mim, amadureci bastante, com relação ao nosso namoro, está mais forte e mais intenso. Beijos!

    1. Oi, Andrea, que bacana que está dando certo o namoro. Acho que a prova da distância é um bom termômetro para os dois se acertarem e definirem o que querem para suas vidas. E, muitas vezes, as pessoas escolhem ficar juntas, mesmo com a distância. Daí as pessoas inventam uma nova forma de namoro, até que dê certo de ficarem juntas de novo. É um desafio, mas é apenas um dos muitos que acompanham nossa vida afetiva. Vale a pena correr o risco e ser ainda mais feliz.
      Obrigado pelo comentário!
      Beijos!

  4. Oooi Fabito!!!

    Sabe, adorei seu post, confirmou exatamente o que eu penso a respeito disso, afinal, estou vivenciando esta situação.
    É muito legal também ver que o negócio tá andando pras pessoas, como no meu caso… =D

    Pra mim foi muito difícil tomar a decisão de sair de casa e morar longe do meu namo, fui criticada e teve gente que fez até aposta pra ver quanto tempo vai durar, mas felizmente, quem realmente importa tem acreditado e faz com que valha a pena, ou seja, nós, o casal.

    Na vdd eu acho que foi até bom viu! Com a distancia a gente conseguiu perceber que um faz falta pro outro e pudemos ter finalmente a total certeza do que queremos. Sem falar que o momento de matar a saudade é indescritível e eu não trocaria essa sensação por nada neste mundo… rsrsrsr

    Eu posso dizer que sim, NAD’s podem dar certo, quando é com a pessoa certa e num momento certo da vida.

    Beijinhos…

    1. Oi, Keila, obrigado por comentar!

      Gostei bastante do que escreveu: “quando é com a pessoa certa e num momento certo da vida”. Isso é fundamental para que tenhamos mais certeza das coisas e possamos passar por cima das coisas ruins deste tipo de namoro (distância, saudade, insegurança…). As pessoas podem mudar de rumo, podem seguir outros caminhos, mas é importante que elas queiram se manter vinculadas, que elas queiram desenvolver seus relacionamentos. A vida da gente muda, mas a gente pode continuar juntos, mudando juntos!

      Beijo grande e boa sorte!

  5. Olá, Fábio!
    Acompanho seu blog ha um tempo, mas só agora vim comentar!
    Esse assunto muito me interessa, pois ano que vem vou entrar numa fase descrita pelo 3º tipo de NAD

  6. Olá, Fábio!
    Acompanho seu blog ha um tempo, mas só agora vim comentar!
    Esse assunto muito me interessa, pois ano que vem vou entrar numa fase descrita pelo 3º tipo de NAD que vc descreveu.
    Em junho de 2011 meu namorado irá fazer doutorado na Europa por 4 anos e não sei como as coisas ficarão. Em junho de 2011 teremos quase 6 anos de namoro (muito intenso, diga-se de passagem, ficamos muito tempo juntos) e temo o “pós viagem”. Tenho 25 anos e ele 27, somos muito caseiros, mas isso não garante nada, não é mesmo? rs. Estou me graduando atualmente, e é muito provável que quando ele estiver terminando seu doutorado, eu comece o meu (provavelmente tbm no exterior!)
    Gostaria que vc falasse mais desse tipo de NAD se for possível. Ficaria muito grata!
    Grande abraço, parabéns pelo blog!!!

    1. Oi, Gê,
      obrigado por ter escrito e pela leitura do blog!
      Então, na verdade acredito que deva existir uma preparação do casal para o novo estilo de namoro que irá começar, para a nova fase da vida de vocês. Se a intenção dos dois é continuar juntos, então vejo que isso deve ser amadurecido com o tempo. No que isso impacta, concretamente, o relacionamento de vocês? Quando vão se ver? Quais serão os meses em que poderão ficar juntos? Esse tipo de coisa mais prática deve estar bem planejado por vocês. O que vocês devem amadurecer com o tempo é o fato de que o namoro irá se transformar, de que vocês vão mudar, mas isso pode ser um indicador de que a relação vai crescer também, junto com vocês. Então, conversar, estar junto, pensar junto, querer junto, tudo isso é fundamental. Uma última dica é deixar as coisas acontecerem um pouco, não tentar ficar controlando tudo, pois há muitas coisas que acabam mesmo fugindo ao nosso alcance. Estar separados não quer dizer que o namoro vá terminar. Então, é preciso que vocês não fiquem sofrendo tanto por antecedência, pois as coisas podem mudar, talvez você consiga viajar para o mesmo lugar, começar o doutorado antes, enfim, muitas coisas podem acontecer. É preciso disposição para estar junto, seja aqui ou no exterior.
      Beijos e boa sorte! Escreva mais vezes!

  7. Oi Fabio, procurando sobre o assunto na internet encontrei seu site, gostei muito doque escreveu, faço parte do terceiro caso, estava namorando a algum tempo e meu namorado teve que viajar para o exterior com o objetivo de trabalhar e estudar, nós viviamos juntos, eu tive que ficar porque tenho que terminar minha graduação…mas nosos planos sa~oassi mque eu terminar a graduaçã oeu também ir pa lá e casarmos, nosso namoro é muito intendo, muito amor muita paixão, muito companheirismo,cumplicidade…mas essa mudança pra mim está doendo muito, com oestá bem no começo estou sofrendo um pouco com “os medos”, medo dele me esquecer, medo de conhecer alguem e me deixar,medo dele não sentir minha falta…enfim…paranóias da minha cabeça…antes dele viajar nós conversamos muito e ele disse que se não quisesse ficar comigo era muito mais facil terminar e ir curtir a vida em outro país…e que realmente queria ficar comigo, pra eu não me preocupar…e confiar nele.
    nós já não somos mais crianças ambos temos 29 anos,mas e usou extremamente insegura, muito provavel por relacionamentos anterios que tive e nã oderam certo..a impressão que tenho é que as coisas nuncam irão dar certo pra mim..tenh oque trabalhar isso…vc pode me dar alguma dica??como melhorar minha auto estima??…oque vc acha da minha situação??

    beijos obrigado

    1. Oi, Renata,
      muito obrigado por participar aqui do blog!
      Bem, namorar a distância (ainda mais quando as pessoas estão em países diferentes) não é simples e você está percebendo isso. Para quem fica, a sensação é a de que sempre será trocada, pois parece que em outro lugar haverá mais estímulos e maiores possibilidades. Mas isso não é verdadeiro. Você também pode encontrar outra pessoa, pode ser envolver com outras pessoas, mas isso pode acontecer a qualquer momento, ele estando perto ou não. Assim, a distância, em si, não tem o poder de acabar com um relacionamento, mas pode ser, inclusive, algo positivo e que os una ainda mais. O importante é continuar o contato, tentar ser sempre presente, ouvir as coisas dele, ser ouvida nas suas coisas, enfim, continuar trocando e nutrindo o que há entre vocês. O namoro de vocês vai mudar, os sentimenstos também, mas isso não é só por causa da distância, mas pela própria maturidade de cada um. Namorar a distância não é sinônimo de fim de namoro, mas sim de uma transformação. Que essa transformação possa te trazer muito aprendizado e que você possa se valorizar mais.

      Beijos e estou à disposição.

  8. Bom o meu caso é o primeiro.Conheço ele há dois anos,nunca encontrei com ele porque quando eu posso ele não pode vice-versa.Moramos em Estados vizinhos e esta dificil nos encontrarmos.Alem da distância tem as nossas diferenças que reforçam a barreira de dificuldades,o medo me rodeia e para melhorar tem muitas pessoas que me criticam por isso.
    Mas a cada dia que passa estamos mais intimo um do outro.
    Gostei do seu texto,mas concordo com o comentario da Nara.
    bjos

  9. Oi Fabio, adorei o seu blog!! Vou voltar sempre pra visitar.
    Me chamo Bia e eu tive uma otima experiencia em se tratando de relacionamento a distancia. Conheci uma pessoa muito especial em um site de relacionamento, ficamos nos falando pela internet por 6 meses e quando nos encontramos nunca mais nos largamos. Estamos casados ha 1 ano e muito felizes. Desejo boa sorte a todas vcs. Fica a dica do site que encontrei meu amor: http://www.bomcupido.com.br

  10. Oi, Fabio.
    Busquei o assunto namoro a distância e encontrei o seu blog,gostei muito do texto.
    Namoro um ano e meu namorado foi estudar na Alemanha, faz quatro meses que ele está lá. Nesses quatro meses foram tranquilos, como estava ocupada com a Faculdade e ele com Curso conseguimos lidar muito bem com a distância, sempre conversando pelo Skype e email.
    Mas ontem recebi a noticia que ele havia sido aprovado em uma vaga de estágio,portanto, ficará mais seis meses na Alemanha.
    Estou tentando ser forte, acredito que com muita conversa e zelo poderemos superar mais essa barreira…mas é tão dificil se manter forte e equilibrada…
    Quero muito que de certo eu amo demais, quero lutar com todas as minhas forças e esgotar todas as possibilidades, ao mesmo tempo tenho medo que a relação esfrie e esse amor acabe…
    Pensei em abrir mão dele, para que possa aproveitar essa possibilidade sem que eu atrapalhe, mas como iria desistir de alguém que amo tanto.
    Você tem alguma dica, sobre como posso manter esse namoro por mais 6 meses, com a mesma cumplicidade de e harmonia?

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