Não sei se vou ou se fico…

Você se acha a pessoa mais complicada do mundo e acha que tudo acontece com você. Acha que a confusão a acompanha, tal como um emprego ruim no currículo. Calma: muitas pessoas não conseguem escolher entre casar e comprar uma bicicleta. Alguns mais sadios conseguem ter dúvidas entre coisas da mesma natureza, como namorar ou não. Se você está na dúvida entre essas duas polaridades, não está sozinha e saiba que a sua dúvida é mais comum do que imagina. Vamos partir do princípio de que você não está sozinha (pelo menos na situação aqui discutida).  Que tal organizarmos os afetos?

Para quem não está namorando no momento e não quer namorar mesmo: Muitos associam o não estar namorando a um estado de liberdade jamais experienciado, em que tudo é possível e no qual você pode ser você mesma (como se só pudesse relaxar e ser você quando está sem namorado ou entre amigos). Não estar namorando não significa ser livre, desimpedido e sem responsabilidades (o contrário também é verdadeiro). Geralmente, quando se sai de um namoro ruim ou de uma relação não muito prazerosa, o estado de solteirice aguça ainda mais esta interpretação de liberdade: quer-se “aproveitar ao máximo”, cada segundo, como se tudo fosse acabar. A pausa entre uma relação e outra pode ser importante para se acalmar, pensar naquilo que se deseja e naquilo que pode aprender estando sozinho (inclusive dar mais valor às coisas que pode descobrir em você, como respeitar suas fases). Só tome cuidado com a rejeição patológica ao namoro: a liberdade deve fazer parte do relacionamento. Se ainda não viveu isso em um namoro, prepare-se para o próximo, no qual tenha mais intimidade para ser aquilo que é de verdade.

Para quem não está namorando no momento e quer namorar mesmo: A primeira coisa é saber o que significa um namoro na sua vida ou o espaço que um relacionamento deste tipo ocupa em seus ideais. Depois de responder a isso, vai ser mais fácil saber por que quer um. Destrua do seu vocabulário afetivo a ideia de ter alguém, apenas. Esse tipo de ausência (solidão?) a gente pode preencher com trabalho, com amigos, com colegas de república, vizinhos, aulas de artesanato ou até acompanhantes especializados, enfim. Não precisa de uma namoro para isso (embora possa usar um namorado para tal finalidade). Quando queremos alguém para não entrarmos em contato com as nossas próprias questões ou porque acreditamos que é “imposssível ser feliz sozinho”, isso pode ser perigoso (para você e também para o outro). Pondere o que entende por namoro, por que precisa disso na sua vida e o que você tem feito, concretamente, para que isso ocorra (está divulgando vaga se a mesma está preenchida com o seu mundo interno?). Não confie na casuística e em comédias românticas para achar um, elas são só uma parte da história. Entenda seu momento e abra-se (ou não) a um novo amor.

Independente do grupo no qual você se encaixa, não podemos enferrujar a nossa afetidade com discursos como “estou cansado de namorar” ou “não aguento mais ficar sozinho”, sem compreender bem o porquê. Exercite os seus afetos, reflita sobre os mesmos e, principalmente, os assuma como algo que faz parte do que você é e daquilo que você quer que o mundo (e os outros) vejam.

Beijo para quem é de beijo e abraço para quem é de abraço.

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

7 comentários em “Não sei se vou ou se fico…”

  1. “Comigo é na base do beijo” então eu ganho beijo? rs.
    Ri muito com o “acompanhantes especializados”.. Me lembrei das histórias que o Sr. Jorge me contou quando fomos entregar o material da caixa ontem.. rs
    Hora de refletir.. Acho que estou me encaixando melhor na segunda opção, será que consigo responder as perguntas? (momento de tensão.. Oo)
    O que entendo por namoro? Hum.. Acho que namorar é saber dividir e ouvir, é compartilhar nossa vida com alguém e tomar decisões cuidando para que a pessoa amada não se prejudique ou se magoe. Mas também é saber dar espaço e ter seu próprio espaço, confiar e se sentir seguro.. E principalmente ser fieeeel!!! rs.
    Por que preciso disso na minha vida? Bem.. Acho que no momento estou precisando deixar de ser egoísta e “me compartilhar”.. rs. Na verdade, acho que estou precisando mesmo por ter achado alguém especial, que apesar de até a astrologia ser contra (por que tenho que ser o maldito inferno astral viu?! rs), eu quero muito que dê certo porque sei que vai valer a pena!
    O que tenho feito pra que isso ocorra? Várias coisas e NADA.. Minha linda timidez consegue acabar com meus progressos.. Mas deixo sempre claro que estou interessada e que estou aqui.. E quanto mais meu coraçãozinho amolece, mais dou bandeira.. aiai.. rs.
    E aí, passei no teste ou ainda tenho muito que refletir? rs.
    Pra variar escrevi uma bíblia né?! Sinto falta das conversas que costumávamos ter. Então, acabo desabafando por aqui mesmo. hehe.
    Mas você me estranharia agora.. Estou até parecendo uma menininha. :p

    Beijão, porque eu sei que você é de beijo! 🙂

    1. Errata…
      Fabitinho..
      Acho que vou voltar a vida de desapego.. Dá menos trabalho e dói menos..
      E o Lucas não vai mais ter que acordar pra ficar escutando minhas lamentações.. rs
      Ser menininha não é muito comigo viu..
      Beeeeijo

      1. Aline!!!
        Calma! Eu fiquei muito feliz por ver que você está se abrindo mais, se permitindo, embora a timidez não seja um problema, mas um charme a mais. Não se cobre para deixar claro ao outro o que quer e para que o quer, tem que manter as suas crenças, os seus valores, respeitar o seu tempo e a sua maneira de ser. Essas coisas vão sendo desvendadas com o tempo, não é preciso declarar tudo. Essa sua abertura é uma coisa positiva e isso tem que ser destacado.
        Mas ter um relacionamento é mesmo complexo, “dá trabalho” e muito mais. Estar coom alguém é ter disponibilidade para refletir, discutir, abrir mão, fazer concessões, isso é fundamental. E isso é mais interessante se estiver ao lado de uma pessoa que saiba fazer o mesmo, ou, pelo menos, que esteja disposta a aprender essas coisas. Nem todos estão.
        Então, não cobre que o outro também se abra, e não se culpe por ter-se aberto. Acho que era o Vinícius de Moraes que dizia que quem não abria o coração, não tinha nada na vida. Quando a gente sofre (e isso é inevitável), é impportante também, pois aprendemos, amadurecemos, nos tornamos pessoas melhores. Sem tristeza e sem medo de incomodar os amigos, você vai levar essas coisas para toda a sua vida e vai ser ainda mais: será uma mulher por inteiro!
        Beijo grande e um abraço bem apertado!!!

    1. Carol,
      precisamos dessas “complicações” para amadurecer, para crescer, para nos conhecer, paara depois rir de tudo isso e ver como a gente ficou melhor com o tempo. Talvez seja este o sentiido, né?
      Beijos!

  2. Amado!
    Eu “calcei” este texto como calço minhas luvas pretas de cetim!
    Muito verdadeiro… me fez refletir…
    E ver que não, não gosto de namorar!
    Mas acho que pq eu não encontrei alguém que me dê espaço para ser a louca que eu sou e amor ser.
    Porém, não posso reclamar das minhas desventuras.
    Como você disse pra Carol, as complicações servem pra nos fazer crescer e nos conhecer melhor, dentre tantas outras coisas.
    Acho mesmo que estou ficando melhor com o tempo… Pelo menos agora eu sei o que quero e como quero. E se não for assim, pra mim não serve!

    Beijos

    1. Eu me lembrei daquela música Velha roupa colorida, que diz que o passado é roupa que não nos serve mais. E precisamos todos rejuvenesceer!!!
      Tudo é aprendizado e o melhor de tudo é saber que temos recursos, que podemos ir além e fazer diferente, amar diferente e continuarmos nós mesmo!!
      Beijos e te amo!

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