Está difícil ser príncipe, viu?

Cada vez mais, as pessoas buscam seus pares e querem ser felizes, encerrando no amor conjugal ou no namoro o sentido de suas vidas. Qual o problema nisso? Nenhum! Sim, estar com alguém é importante para o nosso desenvolvimento emocional, nos ajuda em outros setores da vida e está fortemente correlacionado com a nossa felicidade, a nossa satisfação com a vida. Se estar com alguém pode contribuir para o nosso bem-estar, então acabamos nos tornando cada vez mais exigentes, desejamos uma pessoa cada vez melhor e o príncipe encantado já não tem mais que se preocupar apenas em ser encantado, mas nos encantar diariamente, saber engolir fogo, saber falar, pisar macio, ser macho, não ter uma mãe chata, ter bom emprego, carro e muita disposição na cama. Acho que este está ficando um papel cada vez mais complicado de assumir, talvez, por isso, a escassez.

Mas isso não tem a ver apenas com esses príncipes que estão por aí. Não é o fato de os homens estarem com dificuldades em assumir um relacionamento sério e mais duradouro, não é questão de que os homens são infiéis por natureza nem que eles não estão preparados para constituir uma família. É importante saber de quem é o sonho. Quem quer se casar? Quem quer ter filhos? Quem assistiu comédia romântica demais? Quem quer ter alguém por medo de ser uma “tia” solteira e de mal com a vida? Essas são as suas buscas, não necessariamente as dele. O importante é não transferir isso para ele e não generalizar os sonhos, pois eles não são padronizados. O príncipe acaba sendo um depositário de tantas expectativas (reais ou implícitas) que ele pode acabar se encolhendo, ficando com dor na coluna, se achando incapaz para o papel de protagonista e procurando outro sem tantas cobranças e itinerários marcados. Sendo assim, a procura, no caso, deveria ser ou por uma pessoa que tenha essas mesmas expectativas (o que não significa que, juntos, saberão correspondê-las mutuamente) ou por alguém que possa, em conjunto, negociar esses sonhos, desconstruir algumas exigências e criar sonhos possíveis.

Como estava dizendo a um amigo, o amor pode ser leve, simples e despretensioso. Ele pode ficar nos cutucando, dizendo para olharmos para ele, para lhe darmos a devida atenção e a gente ficar só selecionando aquelas pessoas que se encaixam nos rígidos padrões que elegemos para o ser amado. Achar um namorado não é como encontrar um candidato para uma vaga, com títulos, sêmen, cursos e experiência. Lembre-se de que ele também tem as suas expectativas (sim, os  príncipes também pensam e sentem) e que você terá, mais dia ou menos dia, que corresponder a elas – ou então negociá-las, como deve ser em uma boa relação.

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

2 comentários em “Está difícil ser príncipe, viu?”

  1. Muita expectativa faz fugir até mesmo aqueles que não são príncipes e, hoje, até mesmo os príncipes não estão muito afim de criarem reinos!
    Mas, na verdade, sabemos que as pessoas de carne e osso é que, no final, nos fazem felizes. E isso é o mais interessante dessa história toda!

  2. Cooncordo com você, André, precisamos mesmo de pessoas reais, que habitem a nossa vida e nos ajude a nos desenvolver, a amadurecer nossas escolhas, enfim! Bom meio de semana para você!

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