Nada tão humano como a solidão

Ela nos assombra, até aqueles que se dizem mais fortes e que não têm problemas em ficar sozinhos. Acontece que a solidão não é apenas ficar sozinho. Podemos passar um fim de semana trancados em um apartamento, podemos passar meses longe de casa, meses sem namorar, anos sem ter alguém especial, mas solidão é algo maior, e é justamente esse algo que nos aflige. Se você teme a solidão, saiba que a maior parte das pessoas também sentem (embora muitas não assumam ou ainda não tenham pensado nisso).

Se você anda se sentindo muito só há dois caminhos, não excludentes:

(1) Entrar em contato consigo mesmo, com as suas próprias questões, com os seus medos, suas dores, suas fantasias, com aquilo que tanto você teme, ou seja, você mesmo. Solidão tem a ver com isso, tem a ver com o fato de estarmos cara a cara, em uma distância um pouco incômoda daquilo que nos afeta. Muitas pessoas não param em casa e estão sempre rodeadas de pessoas, não porque gostem disso, mas porque não conseguem ficar sozinhos, não conseguem ter essa importante experiência, não reservam um tempo para amadurecerem.

(2) Entrar em contato com o outro. Há pessoas solitárias e que temem a solidão (ou a sentença que ela encerra), mas acabam se fechando, não abrindo espaço, não permitindo, não deixando brechas para que qualquer outra pessoa entre, peça uma informação, tome um café ou outra coisa qualquer. Essas pessoas não se permitem, não têm posssibilidades à mente, acabam entrando tanto em si mesmas que não mais se enxergam, fecham-se até aos próprios sentimentos. Precisamos do outro, isso é fato. Não precisamos necessariamente de um amor. Mas precisamos nos sentir bem, precisamos ser aceitos, compreendidos, acarinhados. Algo bem básico e que a gente esquece, com medo de parecer fraco.

Solidão não é coisa de fracos, é coisa de humanos, então não se preocupe pelo que está sentindo. Mas se você não está conseguindo viver por medo disso ou por deflagrar que a sua vida tem sido assim, pode ser o momento de mudar, de fazer diferente, de abrir a janela no meio da noite, de deixar a brisa entrar, o amor chegar e a vida florescer. Tente, deixe um pedacinho de pano descoberto no seu coração, permita-o pulsar por você e pelo outro que você escolher. Devagar, sem pressa, sem medo, mas com a urgência e o cuidado que a sua vida merece.

Estou aqui com você.

Beijos direto das Minas Gerais,

Fabio.

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

6 comentários em “Nada tão humano como a solidão”

  1. Fabito,

    Mesmo estando longe, parece que sabe o que estamos precisando ouvir neh!..rsrsrssr…
    Esta sua postagem sobre solidão foi algo muito bom, fez com que eu refletisse mais sobre o momento que estou passando. Está sendo muito difícil ficar longe da família e ter que enfrentar novas experiências, por conta disso, a solidão que me aflinge e muitas vezes faz até eu desistir e voltar para a família,me aborece, porém , como você disse: Temos que nos permitir!srsrsr
    Parabéns pelas postagens! Estão todas ótimas!
    Saudades,
    Bjs

    1. Carol,
      que legal “te ver” por aqui! Você é uma pessoa muito batalhadora e os desafios só te fazem maior, mais especial e mais forte para lidar, inclusive, com a solidão. Mas acho que no seu caso é mais saudade, o que é normal, faz parte do processo de crescer e de amadurecer.
      Beijo grande e saudade imensa!

  2. Fabito,
    Ai que saudade monstro que deu de você agora!!! A Carol e eu estamos relembrando dos seus conselhos e suas pragas que sempre nos ajudavam a tirar a tristeza do rosto e abrir aquele sorrisão. =)
    Ah, a solidão. Eita sentimento ruim viu…
    Às vezes, mesmo em meio a multidão, todos já se sentiram sozinhos e desamparados. Ai que vontade que dá de correr para o colo dos nossos pais, como crianças com medo do bicho-papão, e nos sentirmos seguros.
    Que pena que crescemos e nossos medos e preocupações cresceram junto. rs.
    Já me senti muito sozinha na minha época emo, mas cheguei a conclusão que essa solidão que eu sentia era fruto da minha imaginação (que é fértil para o mal, não é possível. rs.). Como disse no comentário anterior, minha dor e sofrimento são resultados dessa minha mania de deixar minha felicidade em último plano, por não acreditar que ela tem o mesmo valor que a felicidade do amigo do primo do irmão do meu vizinho. rs.
    Mas acho que após chegar a essa conclusão estou conseguindo lidar melhor comigo mesma. Estou me permitindo aproveitar mais a vida, sem medo de ser feliz e sem me preocupar com o que os outros vão pensar, afinal “os outros” não me conhecem para me julgar.
    E ver a vida dessa maneira me ajudou muito nos momentos de solidão, apesar de minha imaginação ainda continuar fértil.. hehe.. Isso é que é gostar de sofrer. :p
    Espero que Minas esteja mais quentinho. 🙂
    Beijos.

    1. Aline!!!!
      Os ciclos da vida sempre pedem novos desafios. Crescer, sair de casa, criar a própria identidade, tudo isso é muito importante, mas dói, faz a gente sentir saudade, sangrar de vez em quando. Nesse processo todo é normal sentir vontade de voltar, sentir saudade, querer colo das pessoas que sempre nos deram proteção. Fico muito feliz de saber que está fazendo todas essas reflexões (são reflexões sim, não é imaginação apenas… rs!). Fazer essas pausas, refletir, questionar, tudo isso te torna mais madura e também mais capaz de buscar sua própria felicidade, aquilo que te faz bem.
      Beijo e muita saudade!
      Aqui está gostoso, sem frio e sem calor. Mas eu amo mesmo oo frio! Rs!

  3. Achei muito engraçado o “2º caminho” que vc citou. Nunca tinha pensado nisso, que pessoas que se fecham podem “sofrer de solidão”. Parece meio contraditório, né? Tipo assim, “se vc se sente sozinho pq se fecha para as pessoas?”. Mas agora me parece bem óbvio rs. Vc pode estar sozinho, afastado das pessoas, mas não necessariamente pode estar feliz com vc mesmo ou em paz com as suas próprias questões. Quando a gente quer, a gente foge até de nós mesmos, né? E deixar alguém entrar implica em “sentir”, o que muitas pessoas evitam. Enfim, to divagando rs. Como ja disse por email, te desejo boa sorte nessa nova etapa da sua vida!! E continuaremos, sim, com a parceria nos trabalhos =) Beijos, Fabito!!

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