Mas será o Narciso?

Olá a todos!

Hoje vamos falar de você e de todos nós. Segundo estudo americano conduzido pelo psicólogo Chris Fraley, da Universidade de Illinois, e publicado no Personality and Social Psychology Bulletin, “as pessoas tendem a sentir atração sexual por quem se parece com elas próprias, ou com seus pais, embora ninguém queira admitir a realidade.” Este estudo foi comunicado no Brasil pela UOL e gerou muitos questionamentos se isso seria fundamentado ou não. Isso já foi ensaiado por Sigmund Freud desde o início da Psicanálise, mas não cabe aqui discutirmos se o estudo corrobora ou não as considerações freudianas. Trata-se, por outro lado, de pensar se estamos efetivamente escolhendo pessooas cada vez mais parecidas conosco ou com nossos pais.

Um relacionamento afetivo saudável é pautado, entre outros, nos interesses comuns existentes entre os parceiros. Isso não significa que as pessoas, para serem felizes no amor, devam ser parecidas (esteticamente, em gostos, em escolhas), mas sim que devam construir caminhos possíveis de serem trilhados em conjunto. Em qualquer relacionamento, estamos sujeitos a nos separar, a pensarmos diferente (isso é muito importante), mas é fundamental manter aceso o desejo de estar junto, de fazer algo a quatro mãos. Sendo assim, não acho que sejamos tão narcisistas a ponto de procurarmos apenas as pessoas que se assemelham a nós. Buscamos, além disso, aquelas que estejam dispostas ao amor e ao partilhamento (leia-se: com concessões várias).

A dica não é procurar um igual, mas construir com um diferente a possibilidade de ser dois e também de ser um só. Quem se atira à própria imagem (tal qual no mito de Narciso) esquece de abrir-se ao novo, de aprender com a assimetria, de poder construir com o outro os interesses vários que a vida há de trazer.

Beijos a todos!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

3 comentários em “Mas será o Narciso?”

  1. o lá Fabio..desde a primeira vez que li um tema no qual vc abordava me encatei pela maneira sutil, e nunca cheia de modismos que vc escreve, trata de assuntos polemicos com muita delicadeza…gostei muito da matéria e gosto muito da sau linha de raciocínio….concordo com vc que talvez taxar como narcisismo o fato de procurarmos pessoas com afinidades e gostos semelhantes aos nossos seja um pouco de mais, mas respeito opnioes, e me assusta o fato de ser real ou não nos atrairmos por pessaos parecidas com nossos pais por exemplo..sendo assim familias desestruturadas seriam fadadas a ter descendentes sempre fracassados..nã oconcordo com isso,concordo com o aprendizado ,com experiencias particulares que cada pessoa vivencia, e com oportunidades que nos sã oapresentadas durante nossa vida…não exixte um unico fator..e sim um conjutos de muitos fatores

  2. Olá Fabio..desde a primeira vez que li um tema no qual vc abordava me encatei pela maneira sutil, e nunca cheia de modismos que vc escreve, trata de assuntos polemicos com muita delicadeza…gostei muito da matéria e gosto muito da sua linha de raciocínio….concordo com vc que talvez taxar como narcisismo o fato de procurarmos pessoas com afinidades e gostos semelhantes aos nossos seja um pouco de exagero, mas respeito opnioes, e me assusta o fato de ser real ou não nos atrairmos por pessaos parecidas com nossos pais por exemplo..sendo assim familias desestruturadas seriam fadadas a ter descendentes sempre fracassados..nã oconcordo com isso,concordo com o aprendizado ,com experiencias particulares que cada pessoa vivencia, e com oportunidades que nos sã oapresentadas durante nossa vida…não exixte um unico fator..e sim um conjutos de muitos fatores que faz com que escolhamos essa ou aquela pessoa…enfim…é minah humilde opnião..afinal nã osou entendedora do assunto muito menos estudiosa do mesmo….minha profissao me liga muito sim ao comportamento humano( medicina), é oque me faz acreditar tb que padões estabelecidos não são validos para todos os individuos mas que cada ser humano é unico…beijosss

    1. Oi, Renata, muito obrigado pelo seu comentário!
      Precisamos ter bastante cuidado para não generalizarmos nem biologizarmos demais, o que não significa que experimentos como esses não sejam válidos. São sim, mas dentro de um contexto que leva em consideração, fundamentalmente, a aparência física. E o que observamos é que isso não se sustenta com o tempo, pois nos ligamos muito mais pelas afinidades e pelas escolhas que vamos fazendo juntos (ou de de modo compartilhado) ao longo do tempo.
      Beijos e uma ótima semana!
      Fabio.

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