Por que tanta pressa?

Os casais supostamente perfeitos e de sucesso estão no nosso imaginário, na TV, nos filmes, nos relatos de casos, mas, na prática, onde eles estão? Primeiro vamos desfazer essa ideia de que haja um relacionamento perfeito: o que existem são relacionamentos satisfatórios, que nos fazem aprender, que nos possibilitam boas experiências, que nos faz crescer internamente. Não há relacionamento sem crise, não há relação sem pequenas brigas, sem divergências, sem discordâncias – de qualquer ordem (da cor da parede ao comprimento do vestido, passando pela adesão ou não ao plano de saúde). Discordar é importante, inclusive, para podermos andar juntos, na mesma direção.

Faça o seu viver no seu próprio tempo. Não se preocupe em acumular os tempos dos outros ou pensar nos tempos que não são os seus. Como diria Cecília Meireles, "faze-te sem limites no tempo". Esse é o aprendizado que proponho para hoje!

E como a gente aprende essas tantas coisas? Resposta mágica: com o tempo! Na escola, precisamos passar por séries ou por ciclos de aprendizagem, não tem como aprender tudo de uma só vez, não tem como fazer a graduação em seis meses com aulas concentradas, temos um tempo biológico e um tempo para amadurecermos e criarmos novas possibilidades. O mesmo acontece com a nossa vida afetiva, que deve ser construída aos poucos, sem pressa, a partir de nossas experiências. Sendo assim, não se aflija se você quiser “aprender a sofrer menos com o seu namoro”, pois isso vai se dar à medida em que esse namoro for acontecendo, à medida que for errando e também acertando na tarefa de conviver, aprender e modificar-se.

Se o mundo pede que você se decida logo ou que acerte logo na escolha do parceiro, na data do casamento ou na decisão da hora certa de ter filhos, saiba que podemos simplesmente relaxar e nos colocar como limite o nosso próprio tempo. Não aquele que se baseia nos prazos que os outros nos impõem, mas naquele que regulamos a cada dia, a depender dos nossos desejos, dos nossos recursos emocionais e da nossa vontade de viver essa ou qualquer outra experiência.

Pense, mas no seu tempo. O mesmo vale para o amor.

Beijos de setembro!

Anúncios

Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

6 comentários em “Por que tanta pressa?”

  1. Acho que é um pouco por mania de manuais, tutoriais e etc., quase todo mundo quer uma fórmula pra tudo, pra evitar de errar, mas é difícil, né? Não tem como.

    Eu acho um desafio descobrir o nosso próprio tempo, o meu tempo, a gente se molda tanto ao tempo do mundo, por causa da rotina necessária, que a gente perde nosso parâmentro. Taí um caminho que eu tenho que trilhar: descobrir meu tempo.

    beijos!

  2. Conforme o tempo passa, o medo de ficar só aumenta. E com este medo, vem a busca incessante do parceiro ideal. Bares, baladas, faculdade, viagens, férias, enfim, tudo pode ser o local em que, a qualquer momento, a pessoal ideal pode estar ali.
    Mas hoje, tenho uma certeza: ele não existe. Descobri o sinônimo de amor – ETERNIDADE. Como co-sinonimos, talvez, RESPEITO, SUPERAÇÃO, DIÁLOGO. E qual em qual sentimento, o amor é eterno? Na amizade? A amizade supera obstáculos, ciúmes, diferenças, brigas, isso porque, a companhia do outro (amigo) se torna essencial. E na Familia? Independente do que aconteça, seu apoio, sua base estará sempre ali. Chamaria estes de um esporte coletivo. Um ou outro da equipe pode estar faltando em algum jogo. Mas é só um contusão. Logo a equipe está completa. E sempre maior.
    Um grande poeta disse: “Que seja eterno enquanto dure”. Pois eu digo o quanto dura. Dura o tempo suficiente em que o outro completa e supre suas necessidades e carências pessoais. As tentações da vida dificilmente destroem uma amizade, uma família. Porque estes, são sólidas, são verdadeiras. Não são como amor homemxmulher, homemxhomem, mulherxmulher, ou seja qual alguém queira criar. Pra este amor, existe um começo, meio e fim. Uns mais longos, outros mais curtos, mas sempre começo, meio e fim.
    No inicio, tudo é lindo, a tudo se cede, os sonhos são concretos e fáceis de serem alcançados. Claro, é o momento da conquista. É como um esporte de duplas: o campeonato é importante e chegar em primeiro lugar aumenta nosso ego. Uma delicia. Mas dia a dia, pessoa a pessoa, conversa a conversa, ficar parado no primeiro lugar do pódio se torna um tédio. Daí as necessidades físicas de participar de uma nova competição, conquistar uma nova medalha, deixam pra trás todos os momentos bons. O lindo se torna preto e branco. Os sonhos, distantes demais e difíceis de serem alcançados.
    Neste momento, tudo de bom de torna uma bela lembrança… dai penduramos nossa “medalhinha” na beira da cama, e partimos pra próximo campeonato. O maior problema, é que este é um esporte de dupla, e na grande maioria das vezes, so um dos parceiros da dupla decide jogar sozinho.

    bjus.. saudades amigo

    1. É, Pi, você tem toda a razão. Mas o coração acaba deixando a gente confuso de vez em quando. O importante é a gente ir aprendendo com as coisas que vai vivendo. Beijos e penso sempre em você.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s