Para começar o novo, sem redundâncias…

O discurso da mudança tem sido muito valorizado como algo positivo e que nos torna mais flexíveis e melhores. O mercado de trabalho procura pessoas que não tenham medo da mudança e saibam se adaptar. Hoje em dia envelhece quem fica parado e sem mudar em nada. Assim, veicula-se a ideia de que todos querem mudar! E como podemos começar o novo? Ora, se vamos começar algo, é óbvio que se trata de algo novo! Nem sempre! Somos constituídos por muitas relações e não podemos simplesmente deletar certas coisas que já conteceram ou mesmo esquecer o passado que também faz parte da nossa vida. Sim, o passado existe, mas não pode ser nosso algoz e nos prender em coisas que já passaram e que não mais podem nos fazer mudar.

E se a gente tentasse nos inaugurar mais uma vez amanhã? Talvez esta seja apenas mais uma das nossas tantas inaugurações, mas é preciso começar! Arrumar o laço vermelho, esticá-lo para depois cortá-lo e dar início a uma nova forma de pensar a nossa estreia como pessoas mais felizes, mais autênticas e mais dispostas ao desafio - qualquer que seja ele.

Para inaugurar algo que seja realmente novo, é preciso viver com o passado e saber que ele é um componente a mais dentre tantos outros que fazem parte da gente, asssim como as nossas expectativas em relação ao futuro. Temos que desconstruir a ideia de que somos neutros (então a gente é tudo aquilo que temos mesmo que ser). Mas mudar requer um desafio um pouco maior, a despeito daquilo que se repete e com o qual a gente precisa conviver internamente (arrumar a casa para que tudo tenha seu espaço, seu tempo e sua cor). Mas se quisermos tentar começar a dançar um novo ritmo, de nada adianta ficar falando dos passos da dança que já sabíamos. Em uma aula de tango (nosso novo desafio), não cabe a nossa habilidade que temos com a salsa (dança passada), ainda que ter uma experiência anterior já demonstre o nosso interesse por dançar.

O mesmo acontece com os grupos que desejam se renovar e produzir coletivamente algo que seja representativo de um momento de inauguração. Como qualquer aspecto da vida, para haver uma inauguração que seja significativa e que nos desperte para o novo, temos que arrumar a casa, pintar a fachada, jogar coisas fora, comprar objetos inusitados  e mudar a proposta, sem medo de romper com aquilo que já foi (que deu certo ou não). Sem medo da redundância.

Beijos para quem deseja começar. Amanhã começa a primavera e o que eu quero mesmo é florir sempre melhor. Quem sabe todo mundo não tenta também?

Fabio.

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

7 comentários em “Para começar o novo, sem redundâncias…”

  1. Fábio,

    estava pensando aqui que preciso urgentemente limpar meu quarto, aceitar uma vez por todas que aquela roupa não serve mais e que, se um dia ela servir, vou querer comprar novas e não aquelas velhas. Estava aqui pensado que não posso mais protelar nada, sobretudo minha organuização. Maaas, só de pensar me deu preguiça e já estava me arranjando uma desculpa para não fazer.

    Daí li seu texto.

    E pareceu que tudo então conspirava e que talvez esse seja o alerta mais carinhoso que receberei antes que as tarefas acumuladas me traguem de uma vez. É tempo de mudar sim, de não deixar pra depois.

    Obrigada!

    beijo

  2. Oi, Dai, saudades de você, mulher!

    Às vezes dá essa ppreguicinha de mudar, né, mas a gente tem que pensar que as mudanças vão levar as coisas ruins que a gente acumula (no corpo, na casa, na cabeça) e vai deixar espaço sobrando para novos sonhos, novas experiências e tantas coisas legais que ainda virão!

    Beijo grande!

  3. Que a primavera traga não só flores mas também palavras para que sempre possamos ler seus textos que trazem sempre algo novo à nossas velhas histórias!
    beijo grande meu amigo.

  4. Fabitíssimo,

    Viu? “Aubedeci” (como dizia minha filha quando era pequena), e vim ler sua postagem de primavera.
    Sim, recomeçar sempre, limpar por dentro e por fora. Tem um ditado que lí em algum lugar que diz mais ou menos assim: “o mais escuro da noite é quando a madrugada já vestá para romper”.
    Assim, não há mal que sempre dure nem bem que não se acabe (ou se renove!).
    Concordo com você, meu querido.
    Amanhã estarei aí.

    Beijo enorme,
    Ana

  5. Fabito,
    Escrevi um comentariozão aqui , enviei, mas não foi!
    Prá não escrever tudo de novo, só queria te dizer que adorei sua posagem, concordo em gênero e número, e adoro você.
    Amanhã vamos nos ver.
    Beijo enorme e saudades,
    Ana

  6. Fabito,
    Como você é bruxinho hein!! hehe..
    Quando eu penso em mudar, você escreve um post sobre mudanças.. Quando estou com o coração magoado, você escreve algo que o anima.. E quando eu penso em mudar novamente, olha o que encontro aqui.. 🙂
    Esse blog deve estar se baseando na minha vida.. rs

    Sabe o que eu acho mais emocionante nas mudanças? Os desafios que aparecem com elas.. Às vezes a gente apanha muito deles, mas isso nos traz um conhecimento único e nos torna muito mais fortes.
    E eu gosto muito disso, principalmente dos mais cruéis.. rs

    Saudades de você!!

    1. Olha como eu acerto? Rs!
      Não é nada proposital, viu?
      E sempre muito bom ver as pessoas das quais gostamos buscando seus caminhos, aprendendo, crescendo. E você falou de uma coisa muito importante: dos desafios inerentes ao crescimento. Eles servem para a gente saber que podemos muito mais, que podemos ir além!
      Beijos, muitas saudades!

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