Um dia após o outro, pelo menos na teoria

Tem uma música do Lenine que diz assim: “O mundo vai girando / Cada vez mais veloz / A gente espera do mundo / E o mundo espera de nós / Um pouco mais de paciência…”. E aí a gente se cobra, a gente se coloca uma metas inatingíveis (e depois reclama dos chefes!), ficamos com a sensação de que nunca estamos lá, ou se estamos, não estamos na nossa melhor forma. Podíamos ter passado com 10, né? E daí a gente reclama do 7, quer a calça 36, quer um namorado com as medidas perfeitas e que conjugue todos os verbos com brilhantismo. E assim não adianta muito reclamar que a vida vai depressa demais e que não temos mais tempo para nós mesmos. Reconheço que muito dessa correria e de nossa constante insatisfação se deva mesmo pelo ritmo da vida contemporânea. Mas não somente. Muito disso é nosso, muita dessa insatisfação se deve àquilo que a gente elencou para a nossa vida como sendo ideal.

E o que fazer? Ter mais paciência? Talvez. Mas bom mesmo é a gente se perdoar, a gente tentar se olhar por um outro lado. Fazemos isso quando queremos entender os pontos de vista de outras pessoas, tentamos nos colocar no lugar dos outros. E se a gente tentasse essa empatia com a nossa própria vida? Se a gente tentasse se perguntar, dar-nos uma segunda ou terceira chance, se a gente pudesse desenvolver o autoacolhimento? Não é questão de baixar a bola e exigir menos do que a vida pode oferecer. Significa apenas que a gente pode ir com mais calma ao pote, que não precisamos ter o amor do mundo, mas de alguns amigos fiéis e que estarão ao nosso lado quando precisarmos. A dica é começar a rever aquilo que a gente deseja ou do jeito que a gente está desejando. Se o nosso desejo é fixo naquilo não é muito simples de ser alcançado (ou que não depende só de nós), a gente pode não alcançar amanhã também. Paciência. Um dia após o outro! Pelo menos na teoria, pode ser uma boa estratégia para viver, ainda que isso não lhe caia como uma luva.

Amanhã vai chegar o dia de desejar, mas sabendo que quem deseja também precisa ser olhado, acarinhado, nutrido. Que o mundo espere um pouco, que a gente já vai chegar. Sem cobranças!

Beijos a todos!

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

6 comentários em “Um dia após o outro, pelo menos na teoria”

  1. Nossa… tenho a impressão que passamos pelas mesmas atribulações quase que simultaneamente. Gosto do seu blog, gosto da forma que vc escreve! Espero que continue escrevendo sempre! Ler vc me faz muito bem!
    Abraço!

  2. Oi, Lucas, muito obrigado por seu comentário e sua participação. É por nossas vivências não serem tão particulares assim que acabamos sentindo coisas parecidas, muitas vezes, é da experiência humana. Que bom que você gostou.
    Abraços e ótimo fim de semana!

  3. oi prof!! concordo com o lucas ler o teu blogo e muito bom !! me ayuda a pensar e refletir de uma forma diferente perante alguma situaçoes!!
    bjss

  4. Fábio, sempre entro aqui p/ ler seus textos, sempre íncríveis ! Ajuda muito ! Um abraço, continue, força em 2011 ! Reinaldo

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