Atualizando os mapas

E novamente assisti ao filme “Divã” (Brasil, 2009). É bem verdade que o assisti da primeira vez pelo fato de ser psicólogo e achar que algo iria me interessar na história. Liberto de expectativas, conheci o filme. E ele me interessou para além do fato profissional. E hoje, resolvi assisti-lo novamente. A mesma história? Não, nunca a mesma história e nem o mesmo expectador. Por isso é que a nossa vida podia ser um filme. Um filme leve e denso, assim como a nossa vida. Duro, com perdas, com alegrias, assim como também deve ser a nossa vida.

Várias cenas ficaram em minha mente: a personagem Mercedes dançando foi uma delas. Quem já se sente com um pouquinho a mais de idade vai entendê-la perfeitamente. Outra cena marcante é quando a amiga (interpretada por Alexandra Richter), prestes a morrer vítima de câncer, pede que Mercedes a maqueie, pois ela não queria ser vista com cara de doente pelo marido. E daí a gente pode passar um post inteiro pensando no modo como a gente nem sempre se permite estar triste, chorar, sentir-se solitário, aparecer sem pó, sem batom, sem esconderijos. Em um mundo que cada vez mais prega a agilidade, a rapidez, o acúmulo, a pressa, acaba sendo cafona parar para chorar um pouco. Acaba sendo piegas emocionar-se – ainda mais com um filme que não é propriamente um drama. E daí a gente esconde o que sente, engole o choro e espera uma hora certa de colocar “aquilo” para fora. Mercedes chorou com um frango em promoção no supermercado. E quem somos nós para dizer que isso não é possível?

O que fica, por incrível que pareça, é a mudança, é o fato de a gente estar sempre mudando, ainda que possamos nos reconhecer como sendo os mesmos. Nem mesmo os mapas são permanentes (quem tem um GPS pode testemunhar isso). Novas rotas, novos caminhos, novas pontes, desvios, obras, novos destinos vão se abrindo ou se fechando à nossa frente. Cabe a nós termos coragem para trilhar esses caminhos novos, não com a bagagem que trazemos, mas com o desconhecimento que nos faz sempre aprendizes. De quê? De nós mesmos. Aprenda sinônimos de balada, vibe e irado. Pode ser só o começo.

Um beijo para todos,

Fabio.

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

2 comentários em “Atualizando os mapas”

  1. Eu tb assisti o filme…pela segunda vez! E concordo com você. Eu sou chorona e muitas vezes tento esconder o choro ou correr para o banheiro qdo vejo certas cenas que me emociona..

    Beijos

  2. Oi, Luzinha, então ppode ser uma boa deixa para que você possa expressar mais os seus sentimentos, inclusive na frente de outras pessoas. Com ceretza, irá encontrar alguém que a compreenda e que também possa se emocionar com você. Abraços e um ótimo fim de semana!

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