Por que DR ainda gera post em blog?

Em 2010 eu fiz uma primeira postagem sobre esse assunto: afinal, o que é uma DR?. À época, a tentativa era de redefinir o que se compreendia por essa discussão da relação e se podíamos encontrar outros sentidos possíveis sobre esse diálogo entre duas pessoas que estão envolvidas em algum relacionamento amoroso. Mas para se ter uma DR é preciso ter algum tipo de relação. Simples “ficadas” ou até mesmo as contemporâneas “pegações” não dariam margem para estabelecimento de DR. Algumas DR em começo de carreira podem gerar relacionamentos mais sólidos, tudo depende do tom da conversa. Ao sentar pra conversar, de repente, pode-se decidir por firmar algum tipo de compromisso que não se tinha antes.

Muitos casais temem as famosas DR, consideradas um sinal de alerta, uma luz amarela no namoro e que pode significar “perigo”. Mas há alguma relação totalmente sólida, segura e inquestionável? Apenas se nos relacionarmos com nosso desejo, moldável de acordo com nosso próprio critério. Mas se DR for usada para conversar sobre o relacionamento amoroso, pode-se dizer que todo casal faz DR diariamente. E nem percebe. Porque DR não tem que ser um momento solene em que um fala, o outro ouve, depois o outro ouve, aquele fala, nem sempre sem atropelos e interferências.

Relacionamento amoroso é muito mais que um contrato. Acontece que esse contrato não se estabelece formalmente, mas vai sendo construído ao longo do tempo. Ao conhecer melhor o parceiro ou a parceira, dá para sacar até onde se pode ir, o que se pode fazer e aquilo que não é permitido, isso de ambos os lados. Aos poucos esse contrato subjetivo vai sendo construído, reconhecido e respeitado.

Então é importante retirar esse peso todo sobre a famigerada DR. E entender que conversar é um processo saudável, desde que haja respeito, consideração, paciência e tolerância. Essas conversas são fundamentais para que o casal amadureça junto, respeitando as individualidades. Conversar é coisa de todo dia, não tem que marcar, circunscrever, anunciar. Quanto mais natural for esse processo, mais o casal poderá construir um espaço potente de acolhimento, compreensão e mútua apreciação. Por isso falar de DR ainda é tão importante.

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

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