Circulação

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Dissolving Man. Recuperado de postitartists.com

 O golpe da graça trouxe uma margarida e a pôs na testa. Era uma forma de ser reconhecida, na rua, para conhecidos e desconhecidos, que seu amor estava ali, amarelinho, branquinho, singeleza que atrai singeleza. Tinha a flor como um unicórnio tem um chifre e operar-se-iam milagres a partir daquele pistilo. Assim como já nascera flor no asfalto, nascera aquela espécie alegrinha em sua testa. Os transeuntes olhavam-na e a interpelavam: por que aquela flor, assim, no meio da cara? A moça sorria, as pétalas se levantavam levemente, contornavam a sua face completamente alheia a tudo o que era questionamento. Estava com a flor no rosto. E o moço do lado de dentro. Bem onde o sangue faz a curva e entra no átrio direito. Do lado esquerdo do peito ela colocou um post-it com o seu nome. E ele tem três letras.

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

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