Bilac e o fagote

Fico excitado com a ideia de que toques para mim, qualquer que seja o instrumento, órgão, violino, piano, até flauta doce. Esse será o meu ponto de corte. Se tocares direi sim. Se não tocares a vida vai seguir. Como sempre seguiu.

Aguardo ansioso pelo áudio, ainda que saiba que essas coisas que eu gosto, antigas, não combinam muito com as novas tecnologias. Melhor seria estar na rede, em balanço, como quem não conta minuto a minuto a ausência de qualquer resposta. Ou num auditório com a acústica perfeita, absorto de uma tal forma que o tempo seja um senhor a ser reverenciado. Faríamos, então, a sua audição. Os meus ouvidos virgens desse sentimento todo abrir-se-iam ao que tens a me dizer. Recorro rapidamente a Bilac, que não me deixa enlouquecer sozinho: “Ora (direis) ouvir estrelas”.

Respiro profundamente imaginando que tu possas tocar um fagote, o mais grave instrumento de madeira da família dos sopros.

Grave mesmo é esse meu coração que faz poesia com sopro.

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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

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