A festa das rosas vermelhas

santaritaEra festa de Santa Rita. As rosas vermelhas de Santa Rita. Uma centena de pessoas na pequena igreja, todos devotos fiéis à padroeira das causas impossíveis. Cada um com a sua rosa vermelha ou com seus ramalhetes. Compro uma medalha da santa, coloco-a no peito junto da de Nossa Senhora e da de São Bento. Reparo naquela multidão de rosas vermelhas e me lembro das giras de esquerda no terreiro. – Boa noite!, é saudação da mulher que gira. Salve a força da mulher que gira! Salve Santa Rita! Salve Obá! Salve a dona das rosas vermelhas, Santa Bárbara, como canta a Bethânia.
Minha mãe e eu não levamos rosas para serem abençoadas na missa de Santa Rita. Minha mãe só queria uma rosa. Vamos até o altar, fazemos cada qual o seu pedido. Disputamos a fila com devotos que agora não querem mais uma rosa, mas sim uma foto com a santa. Minha mãe pede ao homem que guarda o altar uma rosa vermelha. Ele diz que não pode tirar a rosa do altar. Me aborreço com esse homem que negou a rosa e até me confundo no que resolvera pedir.
Então tua imagem me vem à mente e me esqueço que este ano o pedido era da ordem profissional. Penso involuntariamente em você. Pergunto à santa se você está bem. Ela que tanto sofreu talvez entenda as coisas que sinto. Me penitencio e não consigo formular direito o que desejo. Não faz sentido incluir você no pedido. Saímos da igreja sem a rosa e eu sem o pedido.
Atravessamos a rua e um senhor desconhecido nos segue. Ele oferece uma rosa à minha mãe: – a senhora não queria uma rosa de santa Rita? Agradecemos ao homem, em uma alegria que, de repente, nos invade. Eu exclamo: – a senhora vai alcançar a graça! Fico feliz por minha mãe. Ela reza tanto, merece – penso eu.
Lembro da rosa vermelha de outrora, aquela que lhe dei no dia da nossa primeira briga. Das rosas vermelhas que não te trouxeram de volta. E mesmo sabendo que é impossível, não pedi você dessa vez.
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Autor: Fabio Scorsolini-Comin

Psicólogo, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atuo como professor universitário e, nas horas vagas ou não, tenho como companheira a literatura. Este blog se destina a interessados em literatura, Psicologia, comportamento e toda sorte de assuntos que rendam uma boa conversa.

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