O erro tem vez!

Alguns relacionamentos nos machucam muito. Sofrer pela ausência, por uma traição, por um “fora” ou por qualquer outro motivo que venha de um relacionamento amoroso é, em princípio, muito doloroso. Há pessoas que lotam os consultórios em busca de conforto, de uma palavra amiga, de um sentido que, na maioria das vezes, está apenas nela mesma. Sim, somos nós quem damos sentido àquilo que vivemos. Somos nós que concedemos mais ou menos espaço para uma dor. Mas em algumas  situações, é inevitável que se caia em lágrimas e se julgue aquela experiência como o fim de tudo. Não é. Mesmo.

Há que se viver o luto pelas experiências que não deram certo. E também por aquelas às quais abdicamos – sofrer pelo que se escolhe e pelo que não se escolhe também. Uma dor não encarada de frente pode se transformar numa mágoa muito grande, uma coisa que vai te acompanhar para sempre e que não se resolveu, muitas vezes, pela sua não-abertura em colocar isso para fora. É preciso entrar em contato com o sofrimento, assim como com a alegria. Não podemos negar nossos momentos ruins, de down, de desânimo, de tristeza, de vontade de abandonar tudo. Mas é preciso trabalhar isso. Com os seus próprios recursos, orientado por um bom profissional, conversando a respeito ou simplesmente colocando o dedo na ferida. Nossas cicatrizes são marcas importantes e necessárias para o nosso crescimento.

Sofrer por um amor que não deu certo pode ser o início da abertura íntima para uma nova relação, mais madura e mais sofisticada. Com os erros temos que verdadeiramente aprender. E aprender, inclusive, que vamos errar muitas outras vezes mais. Como diria o poeta Paulo Leminski, não se deve cometer o mesmo erro duas vezes. Deve-se cometer três, quatro, cinco, até você aprender que o erro não tem vez. Se é sempre tempo de errar, é sempre tempo de amar.

Bom fim de semana a todos!

Anúncios

O que podemos aprender com um último capítulo?

A novela está acabando, mas outras estão acontecendo ao mesmo tempo e outras ainda virão para atualizar nossos conhecimentos acerca de nós mesmos. Um homem pode realmente perdoar tudo por amor (uma traição, um filho ilegítimo, uma ruptura com as regras sociais e culturais vigentes)? Uma mulher pode passar por cima de seus sonhos pelo amor que sente pelo seu marido ou companheiro (abandonar alguns de seus sonhos profissionais e uma possibilidade de ascensão para casar e ajudar um marido com problemas)? Por amor é que muito vem sendo feito e que muitos desejos vem sendo negados, escamoteados, jogados para debaixo dos panos, dos tapetes, escondidos, enfim.

Audiencia_da_TV_2009
Maia e Raj, personagens da novela Caminho das Índias, da TV Globo.

O perdão é uma virtude e creio que seja necessário tempo e amadurecimento para que cheguemos em uma postura de perdoar aos outros pelos seus possíveis erros, desvios de trajeto ou imperfeições no processo de constituir-se humano. É necessário um aprendizado constante de nossas características para que possamos perdoar alguém: temos que desenvolver a empatia, nos colocarmos no lugar do outro (ou pelo menos tentar esta aproximação). Mas uma modalidade do perdão me intriga ainda mais: pedoar porque se ama. Será que todos que amam devem perdoar? Quando se admite que se perdoa por amor, está implícito que quem ama, perdoa. E se você não perdoa quer dizer que não ama?

O não-perdão é tão maduro quanto o perdão, desde que contextualizado. Todos merecem uma segunda chance, mas todos merecem amadurecer e aprender com a vida e as diferentes experiências. Todos merecem crescer, florescer, aprender com os seus erros e com os dos outros também. Assim, não perdoar alguém pode ser uma atitude madura, difícil e que pode ensinar tanto quanto o perdão, muitas vezes dado de modo barato e sem uma reflexão a respeito. Não quero dizer que não se pode perdoar por amor. É preciso que se esclareça, antes, o que se chama de amor e como se pode crescer perdoando ou não. Não perdoar por mágoa ou pirraça não é crescimento. Não perdoar por falta de recursos pessoais pode ser autêntico. Não perdoar para ver o outro sofrer já é uma outra história.

Amor, perdão e outras tantas virtudes devem ser pensadas. Mas nunca se esqueça que devem ser sentidas e vividas com intensidade e integridade. Não seja tão duro ou tão rígida. Seja autêntica. E amadureça com os seus aprendizados e dores, ainda que eles venham motivados por uma telenovela das 21h. Bom último capítulo a todos!

O novo amor de novo!

Estava pensando no quanto as pessoas buscam um novo amor. O cinema está cheio dessas buscas estereotipadas e que, na realidade, nunca acontecem. Se você olhar ao seu redor no trabalho, com certeza vai encontrar alguém que está sozinho, que comprou um gato e que está buscando uma pessoa para dividir qualquer coisa divisível: mas a sua vida não é divisível. Ela pode ser compartilhada, isso sim. Falamos na busca do amor perfeito, do amor de uma vida, do príncipe/princesa, da cara-metade (que cafona!). Mas hoje quero falar àqueles que já encontraram um amor. Um amor que pode estar meio desgastado, precisando de uma roupa nova ou de uma injeção de ânimo, um novo apaixonar-se, talvez.

Os amores têm que ser regados. Depois da conquista vem uma conquista ainda mais difícil, e esta é diária. Como fazer uma pessoa permanecer interessada em você por tanto tempo? Os mais jovens sempre me perguntam como alguns casamentos perduram por tanto tempo. Uma das respostas possíveis pode estar nesse novo apaixonar-se, na busca de um novo amor dentro daquele possível. Apaixonar-se pela mesma pessoa por diversas vezes. Conhecê-la, entrar em contato, permitir-se, respeitar os seus limites, impor os seus próprios limites e fazer uma forcinha. Não há amor que resista a uma acomodação. Os que se acomodam, com certeza, não falam mais em amor, mas em convivência, respeito, partilha comum, coisas que outras relações como a amizade também podem oferecer.

Da mesma forma que um príncipe encantado não vai bater à sua porta lhe oferecendo flores, a pessoa com quem você está se relacionando há um tempo não vai fazer juras de amor de uma hora para outra. O seu príncipe velho e cansado não vai pedir para renascer do nada e dizendo que você é a mulher mais encantadora (talvez nem tanto depois de tanta coisa…) do mundo. Assim, você pode regar essa relação e redescobrir dentro da sua própria casa um novo amor. Que tal olhá-lo de um modo diferente? Que tal inserir pequenas doses de afeto nessa sua relação? Vá agora cutucar o seu príncipe e o convide para um amor possível.

Boa sorte nessa sua empreitada!

Estamos buscando o quê?

Pessoal,

li essa matéria com a psicanalista Maria Rita Kehl, publicada na Folha de São Paulo do dia 06/09/2009 e gostaria de compartilhar um trecho com vocês.

Maria Rita Kehl, psicanalista
Maria Rita Kehl, psicanalista

“Alguns sintomas, na atualidade, têm se tornado mais frequentes e mais incômodos do que as formas consagradas das neuroses e das psicoses no século passado. Hoje as drogadições, os transtornos alimentares, os quadros delinquenciais e as depressões graves desafiam os analistas a repensar a subjetividade. Isso não implica necessariamente que as antigas estruturas clínicas tenham se tornado obsoletas.

O que encontramos hoje nos consultórios psicanalíticos é um novo sujeito? Ou são novas expressões sintomáticas que buscam responder ao velho conflito entre as pulsões e o supereu -este representante das interdições e das moções de gozo, no psiquismo? O sujeito contemporâneo está mais próximo do perverso, que sabe driblar a falta pelo uso do fetiche? Ou é ainda o neurótico comum que, em vez de tentar seguir à risca a norma repressiva, tenta obedecer a um mestre fetichista que lhe ordena a transgredir e gozar além da medida?

Por enquanto, tenho escutado, em média, neuróticos mais ou menos estruturados tentando corresponder à suposta normalidade vigente, a qual -esta sim- já não é mais a mesma nem do tempo de Freud, nem do de Lacan. A “crise do sujeito”, outra face da chamada “crise da referência paterna”, corresponde, a meu ver, ao deslocamento e à pulverização das referências que sustentavam, até meados do século passado, a transmissão da lei. Não se trata da ausência da lei na atualidade, mas da fragilidade das formações imaginárias que davam sentido e consistência à interdição do incesto -a qual, desde Freud, é considerada condição universal de inclusão dos sujeitos na chamada vida civilizada, seja ela qual for.

Se o homem contemporâneo sofre do que [o psicanalista francês] Charles Melman chamou de falta de um centro de gravidade, é porque as referências tradicionais -Deus, pátria, família, trabalho, pai- pulverizaram-se em milhares de referências optativas, para uso privado do freguês”.

Estaríamos nós carentes desse tal centro de gravidade, um ponto de equilíbrio que nos remeta ao resgate de uma série de noções que vêm sendo esquecidas em nossa contemporaneidade? Obviamente, a rapidez e a fragilidade dos laços que estamos construindo nos afastam cada vez mais daquilo que, em discurso, buscamos: um amor, uma vinculação, um compromisso sério, um espaço no qual possamos aceitar e ser aceitos de modo incondicional. À reflexão de Maria Rita Kehl eu acrescento que vivemos um momento particular em que se busca e, ao mesmo tempo, não se sabe o quê. Quais os sentidos de um amor verdadeiro, de um compromisso em nossos dias? Não podemos simplesmente dizer que estamos numa época de rupturas. Estamos em uma fase, e sempre estivemos, de reconstruir novas possibilidades, mas partindo do resgate íntimo do que buscamos na realidade. Pare de procurar. Pense no que você quer buscar. Isso muda o foco e pode aliviar possíveis vazios injustificados. E isso não é nada simples.

Uma gota de filosofia

Olá a todos!

Uma gota de filosofia! Vamos começar pela teoria das emoções de Jean-Paul Sartre. Vejam o que ele escreve a respeito:

“(…) Uma emoção remete ao que ela significa. E o que ela significa é, de fato, a totalidade das relações da realidade-humana com o mundo. A passagem à emoção é uma modificação total do “ser-no-mundo”.

Fonte: Sartre, J. P. (2007). Esboço para uma teoria das emoções. Porto Alegre: L&PM.

110507sartrejeanpaul

Por uma leitura não muito aprofundada da teoria sartreana (e aqui não é meu objetivo mergulhar em sua filosofia), devemos pensar que as emoções são significadas de modos diferentes por diferentes pessoas, em seus mais variados contextos.

Uma situação de dor, de traição ou mesmo de separação pode ser vivida (experienciada) de maneiras distintas. Ou seja, cada um significa uma vivência de uma forma única. Assim, ao refletir sobre o seu problema atual (não necessariamente afetivo) deve-se partir de uma imersão nos significados atribuídos que nós próprios criamos. É a partir disso que podemos avaliar a situação e, amadurecidos, modificá-la, recriá-la, superá-la ou possibilitar significados novos e mais salutares! Nós também somos os significados que construímos/produzimos!

Até o próximo post!

Por que álcool-gel?

Até bem pouco tempo atrás, ninguém conhecia o tal do álcool gel. Na verdade, bem pouca gente tinha isso em casa. Com a nova gripe, o álcool-gel passou a ser um acessório indispensável. Mulheres sustituiram seus cremes hidratantes pelo álcool-gel. Outro dia, na sala de aula, uma menina tirou um da sua bolsa e começou a disseminar a “prevenção”. Ter um virou sinônimo de estar imune. Bingo para os fabricantes do produto. Bingo para quem descobriu os poderes subliminares do álcool-gel. Eu tenho o meu sempre à frente. Agora tenho até um blog. Muito álcool-gel para os relacionamentos amorosos atuais, é preciso prevenção contra as armadilhas dos sentimentos e, mais do que isso, é preciso limpar a casa para poder abrigar novos sentimentos, amores e sentidos acerca de se estar junto! Sintam-se mais do que convidados a conhecerem as façanhas que podemos fazer com apenas poucas gotas! Como diz a propaganda do Veja, “brilho sem embaçar”! É isso aí!

Sejam bem-vindos!

O Álcool-gel é um espaço para discussão de ideias e reflexões relacionadas aos relacionamentos amorosos na contemporaneidade, além de temas afins! Já teve a sua dúvida em relação ao namoro hoje? Já questionou sobre o sentido do seu casamento na última semana? Você se sente sozinho e não tem um espaço para desabafar e ser orientado? Com poucas gotas, podemos transmitir e compartilhar informações, conhecimentos e saberes! Sintam-se à vontade para contribuir com o nosso blog! Não custa nada, são apenas algumas gotas!